sábado, 26 de setembro de 2009

Série Histórica inicia hj...serão vários textos que escrevi à mais de 7 anos...


Lembranças de um viajante

Cada viagem tem suas lembranças, cada lembrança resgata uma viagem muitas vezes esquecida dentro de um grande universo de experiências e descobertas. Algumas outras viagens são apenas viagens mentais, ao invés de lembranças de ocorridos, lembramos apenas o que queremos fazer no futuro. Para quem viveu, surfou, amou a natureza acima de tudo, tem na bagagem boas histórias, grandes roubadas, cicatrizes e muitas outras coisas que só tem gravado na mente de quem realmente aproveitou e aproveita a vida. As linhas abaixo é uma simples tentativa de despertar a memória de velhos e bons amigos, e também de contar um pouquinho de cada aventura vivida:

-Juréia-SP: tempestade, off road, praias desertas sem crowd, briga de cação, descobertas, lugar misterioso, histórias, fotos, luar no vale, mangue, correnteza e remadeira, cabreragem,10 pés plus...
-Santinho-SC: 1,0 metro perfeito, aniversário do Tiago, dunas, descobertas, trip zen, legal, Fabrício local do pico, ondas perfeitas e eu sem prancha trabalhando no hotel...
-Floripa-SC: carro batido na beira-mar, sereias por toda à parte, mole bombando, moçamba perfeito, peregrinação atrás das ondas, Mr. Clean...
-Praia do Rosa-SC: chimarrão, muito frio, geada, jogo de xadrez ao amanhecer, bicão bombando, gaúchas, crowd intenso, dois metrões perfeitos, animal, padaria, Domingos, Maneca, pizza integral...
-Garopaba-SC: Sahaj Marg, Degani, Babalu, pizza na Grafitte, Ferrugem perfeita, Silveira clássica, Mike Tyson porrada, projetos de vida, galera marrenta, carro de boi, vento, muito vento...
-Ilha do Cardoso-SP: Antônio Neves, Praia Secreta, cataia, grandes caminhadas, forró, amigos caiçaras, artesanato, pureza, praia longa, forró, trabalho, boto, viagem de barco, mar ressaqueado, ondas gordas conectando com o inside, chuva, cachoeira...
-Cananéia-SP: chuva sem parar, monitores ambientais, bons restaurantes, traição de falsos amigos, noite, cerração intensa, cansaço, procurando barco, tubarão branco...
-Navegantes-SC: redes de pesca, menos quinze na relva, perfeição, água escura, navios passando perto do local de surf, prancha roubada, Sr. Sabiá, Catarina do restaurante, campeonato de longboard com ondas perfeitas, desinteria geral na galera, bodes intermináveis, frio intenso, asco...
-Guarda do Embaú-SC: Nando doidão, sinuca, pernada para a prainha, rosetas nervosas, dunas, época da tainha, Gudang Garam, empanado de frango, açaí, direitas perfeitas na prainha, indignação, visual no mirante, cacho de banana...
-Br –101-SC : caminho da felicidade, Plaza como primeiro point, noites de cansaço extremo, multas sinistras, velocidade, retorno para a vida convencional, congestionamentos, desvios e mais desvios, perna na estrada, barca surf...
-Farol de Sta Marta-SC: vento o dia e a noite inteira, casa fedida, água trincando, brigas, dunas, areia em tudo, estrada que acabou, corsa wagon atolado, ondas descomunais, caldos terríveis, crowd marrenta, aventura, paisagem, Tereza, Galheta...
-Interpraias-SC: caixotes intensos, vieras gigante, curvas e visuais, degradação ambiental, chegada a camboriú, parcel, fotos...
-Maresias-SP: preço alto, museu do surf, grandes pousadas, chuva e frio, mistérios desvendados, fila no sirena, ondas de boa qualidade, vontade de voltar, viagem longa pela frente, saudades...
-Mariscal-SC: Baliscal, carnaval com altas ondas com muito surf e sem balada, pousada irada, amigos, sol, flat, remada até a pedra, bate-papo com locais amistosos, coruja buraqueira, piscina gelada com a gata, cachorros amigos, páscoa com altas ondas no meio da praia, inverno com a família...
-São Chico-SC: locais chatos ,ondas pequenas, nada demais, point mais constante de Sc, demora pra chegar, na volta estamos quase em casa....
-Sinuelo-SC: bomba de chocolate, bolo de laranja com cobertura, pão de queijo, cara do caixa, muita prática, galera, sono, point de encontro curitibanos, caldo de cana, sanduba...
-Saquarema-RJ: caramba olha o tamanho dessas ondas, sem surf, água azul e areia branca, inverno, berço do surf, camping no mato, praia deserta, Bacaxá, a famosa igreja e seu cemitério, realização de um sonho antigo...
-Guarapari-ES: roubada, stress, águas transparentes, temperatura agradável, poucas ondas, ventos ruins, ouriço do mar no pé, hospital, turismo, hotel, trip de inverno, primeira trip mais forte...
-Vila Velha e Vitória-ES: locais bonitos, cidade bonita, 5 cocos por um real, sem surf só turismo...
-Coroados-PR: mar bombando, fechando todas, matando trabalho, surf suicida, céu azul, tentativa de furto de prancha, casa do Daniel, mar mexido amigo empolgado...
-Ilha do Mel-PR: casa do Miltinho, fome no Reveillon, passeio de bote uma furada, paralelas com crowd insuportável, praia de fora repleta de long todos se dando muito bem, lua cebion, caminhada, praia do Miguel, night com Djambi, semana anti-stress com surf e amigos, quase fui atropelado pelo Peterson Rosa na grande...
-Pavones-Costa Rica: sonho de consumo virou realidade, difícil acesso, ondas quilométricas ,fundo de pedras, morcego no travesseiro, filme de surf no restaurante, imperial em frente a sessão de tubos, pressa para chegar, pressa para voltar, sossego, futebol com o Ector, brincadeiras com a molecada...
-Itacaré-BA: quarto ao lado, gin do argentino, tiririca no comando da madrugada, prainha com visual de sonho, altas ondas e tartaruga na Engenhoca, farofa em Itacarezinho, Uno-rover, grandes negociações, forró mar e mel, hip hop na mansão, por do sol de filme, pés doídos, Jeribucaçú altas ondas e uma grande caminhada morro acima...
-Roca Bruja- Costa Rica: iguanas, quatis, pegadas de onça, amigo fugindo da onça, pajero 4x4, trilha de carro, off road radical, lama em tudo, carro atolado, ondas vazias num lugar distante, pedra imponente, fotos de cartão postal, fome, sono ruim, nascer impressionante da lua, surf somente com os amigos, sol rachando a cabeça...
-Bocas Del Toro - Panamá: long quebrada, terremoto, hotel de madeira, botel, comida ruim, calor, altas ondas em carenero, água transparente, caribe, lugar isolado, uma viagem de ferry-boat, lixão em dompers, stress com americano na água, muitos cariocas, hamburguesa na rua, 15 dias de rei...
-Santa Catalina- Panamá: direitas perfeitas não muito grandes, por do sol na água, coisa linda, pousada na frente da onda, poeira na cama, proprietária da pousada nem um pouco hospitaleira, cerveja Atlas quente, fotos profissionais de surf, a melhor direita da América central, pizza muito boa...
-Guaratuba-PR: aprendizado no surf, brincadeiras na areia, direitas lendárias, vários contatos, casa da família, prancha de isopor, prancha morey boogie, prancha de surf usada, longs, várias longs, amigos muitos amigos nas águas poluídas da praia central, farofada nervosa, carros com som, rua movimentada, excelentes ondas surfadas nos paraguaios, pés cortados, cabeça rachada, bermuda rasgada, leash estourado, local de descanso, mar amigo, a própria casa e berço do meu surf...
São muitas as memórias, são muitos os lugares, algumas histórias passadas para o papel e outras apenas guardadas pra sempre na mente. Essa foram apenas algumas, a cada dia, a cada momento surgem novas que fazem a diferença de uma vida bem aproveitada!



quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Iº ENCONTRO CATARINENSE DE LAND ROVERS

Aconteceu neste último final de semana, 15 e 16 de agosto na Praia de Mariscal em Bombinhas-SC o Iº Encontro Catarinense de Land Rovers. O Encontro foi uma iniciativa de proprietários dos lendários veículos e teve como objetivo principal a confraternização. Durante os dois dias do evento, as 22 Land Rovers defenders e mais de 60 pessoas curtiram o alto astral e conheceram os visuais deslumbrantes do município, utilizando estradas de chão, praias e morros. O encontro contou com o apoio de diversos amigos, landeiros, jipeiros, sites especializados, restaurantes da região, Armazém 4x4 e Grué Chocolateria.
http://picasaweb.google.com.br/maumariscal/IEncontroCatarinenseDeLandRovers#

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Visita à Serra Catarinense

A vontade de conhecer a famosa Serra Catarinense já vinha de tempos. Um lugar perto, famoso pela sua magnitude, cidades hospitaleiras e com muito frio. Em busca de tudo isso é que iríamos. Programamos a data conforme a previsão do tempo, para garantir que estaria o frio e que pudéssemos ver tudo branco, seja de neve ou de geada.
Saímos do litoral, mais precisamente da bela Praia de Mariscal no município de Bombinhas-SC, bem cedo, mesmo no litoral o ar estava gelado, o que nos deixava certos de que seriam dias clássicos na Serra. Saindo da península de Porto Belo, pegamos a BR-101 sentido sul, um pouco depois de passar pelo trânsito intenso da Grande Florianópolis, entramos na BR-282 sentido interior do estado. A BR-282, é bastante tortuosa e em vários trechos se apresenta com bastante trânsito, mas é nessa mesma estrada que começamos a visualizar a cadeia de montanhas da Serra Geral, o quanto mais nos afastávamos do litoral, ganhávamos altitude e conseqüentemente o frio aumentava.
Após rodarmos cerca de 130 km e passarmos por várias pequenas localidades, entramos à esquerda na estrada estadual, SC-430. Estrada estreita, sem acostamento, pouca sinalização, sem movimento e com lindo cenários. A estrada nos leva ao nosso destino que é a pequena cidade de Urubici, muito famosa por ter registrado as mais baixas temperaturas do Brasil. Urubici está em um vale cercado por montanhas à 915 metros do nível do mar e tem cerca de 10.500 habitantes. Uma cidade simples, com várias pousadinhas, alguns restaurantes e claro muito frio.
Nos hospedamos numa simpática pousadinha, a qual é a própria casa da dona, com um delicioso café da manhã ao lado de um antigo fogão à lenha. Após o almoço fomos em direção ao primeiro ponto que queríamos conhecer, a Serra do Corvo Branco, localizada à 30 km do centro da cidade seguindo sentido leste. Através de uma estradinha de pedra e muita poeira chega-se a um fenda cortada na rocha para a passagem da ligação do vale onde situa-se Urubici e a parte baixa da serra já em outro município, Grão-Pará. A estrada é a atração, pois as curvas são verdadeiros cotovelos e está encravada dentre as enormes rochas que formam paredões imensos, os maciços da Serra Geral. A estrada tem poucos metros de asfalto e na sua maioria é de pedras, buracos e poeira, muito estreita dá passagem à apenas um carro por vez. De um lado paredões e de outro um despenhadeiro, um lugar onde nos sentimos pequenos diante da grandeza da natureza.
Neste primeiro dia já gostamos muito do lugar, da cidade e das pessoas com quem conversamos, à noite fomos comer um pizza, na pizzaria haviam diversas fotos da região, fotos de várias nevascas, fortes geadas e pontos turísticos. A pizza estava muito boa, a temperatura ambiente era muito agradável, com as chamas da lareira no centro do salão e com o grande forno a lenha, sendo que a temperatura externa na faixa dos 2 graus. Já na pousada um bom banho quente e lençóis térmicos fizeram da noite uma bela noite de sono e de reposição de energias.
Acordamos com o termômetro marcando 0, sensação térmica provavelmente negativa, pois o ar era muito gelado. O café da manhã bem caseiro com excelente pães e doces e o bom papo do casal donos da pousada fez com que o ambiente ficasse aquecido.Nesta conversa descobrimos que o Morro da Igreja estava com acesso interditado pois a estrada havia desabado, também nos informaram que havia um acesso por trilha através das fazendas, mas que o caminho era ruim e não muito fácil de achar. Resolvemos buscar mais informações na Secretária Municipal de Turismo, fomos muito bem atendidos, o atendente nos apresentou diversas fotos e nos passou muitas informações, inclusive históricas e geográficas da região, impressionante o conhecimento e o excelente atendimento prestado.
Agora era só seguir as orientações e tentar localizar o início deste acesso restrito ao Morro da Igreja, seguimos por uma estradinha estreita com bastante barro até uma casa onde morava a D. Maria, foi ela que nos passou todas as dicas para a trilha. Lembrando que esse acesso só pode ser feito com um bom veículo 4x4, no nosso caso uma Land Rover Defender 110 nos daria com toda a certeza a segurança e a disposição para enfrentarmos os terrenos difíceis. Iniciamos a trilha, mas infelizmente pegamos uma virada errada, encontramos uma mulher e sua filha caminhando no meio de um pasto todo branco pela forte geada, e pedimos informação, ela nos orientou, aproveitamos demos uma carona, ela estava indo tirar leite das vacas naquela manhã fria do mês de julho. Já no caminho certo subimos a Serra dos Bitus, nome dado devido aos Bitus, um povo que mora em um vilarejo de cerca de 5 casas, onde vivem praticamente isoladas algumas famílias, as crianças com pele num tom de bronzeado e olhos azuis ficaram radiantes com nossa presença. Subimos, a subida nos dava um visual lindo naquela manhã ensolarada, onde o sol se erguia preguisoço e começava a derreter a densa geada nos campos da região. A subida era íngreme, escorregadia e nos levava à um caminho por dentro de fazendas, com algumas poças d’água ainda congeladas íamos cortando pastos, e capões com diversas araucárias centenárias, cachoeiras. Porteiras e mais porteiras, muitos cavalos, vacas e outros animais. Um pouco de lama, pedras pra dar um pouco mais de emoção ao caminho.
Saindo da trilha seguimos por asfalto, aliás com gelo no asfalto em pleno meio-dia, até o ponto turístico mais famoso da Serra Catarinense, o Morro da Igreja, onde localiza-se a base do Sindacta II, que faz o controle do trafego aéreo da região sul. Estávamos agora à mais de 1.800 metros do nível do mar, lá de cima a visão era magnífica, podíamos avistar muitos kms à distância pois o dia limpo nos dava essa oportunidade, lá de cima pode-se avistar outro ponto muito famoso, a Pedra Furada, pelo próprio nome não há muito o que descrever.
Voltamos para a cidade, mais cerca de 10 km de trilhas e pequenas estradas, cerca de 2 horas de deslocamento, o frio já começava a ficar intenso novamente, pois o ângulo do sol neste época do ano faz com que anoiteça muito cedo. Fizemos um breve lanche numa panificadora da cidade, matamos um tempinho, e fomos em busca de outros atrativos, pegamos a estrada, desta vez asfaltada e bem sinalizada, em direção à Cachoeira do Avencal, uma belíssima queda d’água localizada à 6 km do centro da cidade dentro de uma reserva particular. A cachoeira é linda, e o lugar muito bem cuidado, na volta paramos no mirante, onde podemos avistar a cidade inteira de Urubici, e paramos também nas inscrições rupestres, já com o sol bem baixo, a temperatura caia sensivelmente, os pés de maça ao lado da estrada davam um charme especial para a estrada.
Nossa segunda noite na cidade fomos a um restaurante muito charmoso no qual nos deliciamos com uma típica sopa de capeletti, repondo assim as energias para que no dia seguinte seguíssemos a viagem para outra cidade da Serra.
Acordamos cedo e novamente o termômetro marcava 0. Um belo café da manhã aquecidos pelo fogão à lenha fez a nossa despedida dos simpáticos e hospitaleiros donos da hospedaria. Seguimos pela tortuosa SC-430, até a fria cidade de São Joaquim, na qual conhecemos o centro e subimos até o morro das antenas para ver a cidade de cima. Resolvemos pegar a estrada novamente e desta vez a própria estrada era a atração, a SC-438, cortando a famosa Serra do Rio do Rastro. Uma breve parada no mirante, com uma visão imponente de boa parte do estado, pois o dia estava muito limpo, com o céu muito azul. Descendo a estrada, pode-se sentir o cheiro do mato, a cada curva o visual impressionava, muito bem sinalizada para evitar acidentes pois ao mesmo tempo que é bela é também muito perigosa pelas suas curvas acentuadas. Essa estrada nos levou à Lauro Muller, cidade simpática localizada na base da Serra Geral, seguimos por asfalto até Rio Fortuna passando por Braço do Norte. Pegamos então uma estrada de chão, com bastante poeira e paisagens rurais lindas e por aproximadamente 60 km pudemos observar e curtir, passamos por rios, bosques, curvas, serrinhas, subidas e descidas, horas com lama, horas com poeira, era em busca desta diversão é que estávamos. São Bonifácio era nosso destino, cidade da qual seguiríamos rumo à BR-282 cortando o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro por uma estrada de bom asfalto e de visuais muito bacanas.
Já na BR-282, uma parada breve para abastecer, a viagem estava próximo do final, paramos também em um Shopping em São José para fazer um lanche e se recuperar um pouco de tanta poeira, seguimos novamente para nossa base renovados pelo ar gelado da Serra Geral, com histórias para contar e com a certeza de que há muitos e muitos lugares especiais para visitar, nossa mini-expedição estava no fim, mas quando chegamos já estávamos programando a próxima.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

VIAGENS


Indo e vindo de tantos lugares! Essa é a vida de um surfista fissurado que mora em uma cidade que não tem praia, as viagens são uma constante, cada final de semana um lugar, algumas vezes os mesmos lugares de sempre, outras a busca por novos lugares, novas culturas, novas ondas, ondas diferentes tanto dentro quanto fora da água.O interessante é buscar, essa busca é uma busca individual, cada ser tem um ritmo, uma necessidade, é uma busca interna, a busca pela onda perfeita, a busca pelo que está dentro de você. Além de interna ela é eterna, pois sempre se quer mais, mais tamanho, mais força, mais perfeição, lugares cada vez mais inóspitos, mais sol, mais astral, mais visual, mais amor.
Esse esporte, o surf, nos faz buscar...buscar tudo. Quando iremos encontrar? Não sabemos, muitas vezes já encontramos e nem mesmo percebemos. Precisamos estar abertos a outras culturas e não apenas observá-las com um ar de indiferença, precisamos experimentá-las, participar de comunidades não convencionais, fora do tal mundo capitalista. Muitos surfistas são fechados, parecem indiferentes a tantas possibilidades que essa religião oferece. Pegar onda, não quer dizer apenas ficar em pé na prancha. O surfista precisa ter atitudes positivas, dentro e fora da água, precisa respeitar o meio, para que o meio o respeite. Outros deixam passar aquele pôr-do-sol desapercebido, momentos mágicos que é apenas olhar para o mundo com o coração e não somente com os olhos materiais.
As viagens citadas no início do texto, devem ser devidamente aproveitadas, pois somos seres abençoados e presenteados pelos Deuses a cada novo lugar que pisamos, a natureza está sempre em nossas vidas. Acredito ser o esporte que estamos mais próximos dessa força maior. Estamos envolvidos intimamente à ela. Como pais e filhos, o mar é uma família, uma escola. O aprendizado é apenas para quem está disposto, apesar de ser uma constante, os olhos, a mente, o corpo, o coração, todos os sentidos precisam estar voltados para esses ensinamentos.O que vai sendo adquirido com essa experiências, ninguém jamais pode tirar de você, está gravado em sua mente. Comprar uma prancha e sair por aí viajando, é fácil, é acessível para muitos. Mas ter atitudes grandiosas, pensamentos interessantes, valorizar pessoas e não objetos, ah sim isto é para poucos. Talvez essa seja a diferença entre o praticante de surf e um surfista de alma. Não estou julgando ninguém, cada um sabe dentro de si mesmo, onde se encaixa, é só não se enganar. Na hora do caldo, do aperto, a mãe natureza sabe distinguir os nobres dos modistas.
Gerry Lopez, Tom Curren, Otaviano Bueno, grandes surfistas que seguiram uma linha espiritual dentro do surf, exemplos a serem seguidos. Desapegados de bens materiais, apenas seres espirituais, os surfistas antes de vários outros grupos, são os que mais tem à sua disposição esse caminho. O caminho natural está aberto, é só segui-lo, bifurcações, avenidas, ruas sem saídas existem muitas. A onde almeja-se chegar? Respondendo essa pergunta fica mais fácil de traçar o objetivo, traçado os objetivos, é fácil escolher o caminho.
O surf zen está morrendo, conto nos dedos os seres que tem o surf como espiritualidade, como modo de viver e não como estilo de vida. Felizmente por pensar com esta filosofia com relação ao surf e ao mundo, tenho atraído bons amigos, amigos verdadeiros, pessoas boas, com bom nível de desenvolvimento espiritual. Isso só tem a somar com os momentos mágicos vividos intensamente dentro de um tubo cristalino, ou no nascer de uma lua amarelada num horizonte longìncuo. Ilhas, praias, pedras, ondas, água, sol, nuvens, a chuva que cai, os caiçaras, a comida ruim da América Central, as direitas e esquerdas perfeitas sem nenhuma gota fora do lugar, as roubadas, os ferimentos e muitas outras coisas que fazem parte do dia à dia de um surfista real. Isso tudo ensina, materializa sonhos ,desejos, percepções. Precisamos estar preparados para admitir tudo que o surf, as surftrips, a natureza e as pessoas humildes tem a nos completar. Não basta contenplar, fotografar, temos que estar inserido, adquirindo toda essa pureza e sensibilidade que está à disposição de nós praticantes de um esporte nobre.
Viajar não é somente amarrar a prancha em cima do carro, buscar os amigos e sair. Viajar é um estado do nosso ser interior, abra-se a isso, viajar com a mente, sonhar. Ser feliz é ter felicidade sempre, não deixar coisas materiais estragar nossa tão longa jornada para o ser Supremo. Não precisamos estar nas Mentawaii em um iate de luxo para ter a felicidade adquirir experiência, podemos estar bem acompanhados num momento de surf nas ondas pequenas e mexidas da praia mais próxima da nossa casa, se soubermos extrair as vibrações certas dessa vivência nos fará muito felizes e haverá dessa forma o desenvolvimento que buscamos.
A vida cotidiana, o stress da vida diária numa cidade, faz um efeito maléfico no cidadão comum, síndrome da pressa, stress, mal humor, ocorre um desequilíbrio geral tanto mental quanto corporal. O indivíduo perde saúde, alimenta-se mal, não pratica atividades físicas com regularidade. Tudo isso pode ser invertido, com a dedicação de corpo e alma à natureza, ao surf, à espiritualidade, ou seja, a espiritualidade do surf.
O surf zen está em tudo, nas ondas, nos amigos, na meditação, nas experiências, nas viagens da mente e do espírito. É só abrir-se a ele!!

Boas Ondas!!

Início


A partir de agora irei postar relatos de viagens, experiências, histórias de surf trips, fotos, aventuras e outros...

Espero muito atender a expectativa dos leitores!