sábado, 28 de novembro de 2009

PANAMÁ-segunda parte




Muitas curvas e boas estradas marcaram a viagem para o nordeste do país. Uma província com nome um tanto estranho, Bocas Del Toro, o que significa as saídas de um grande rio com o nome Toro. A capital dessa despovoada parte do Panamá está localizada em um arquipélago exatamente nas bocas do Rio Toro. Uma cidade bem pequena, que possui uma estrutura precária e não conta nem com posto de gasolina. Para chegar são aproximadamente 2 horas em um ferry boat, o qual passa por locais muito bonitos, com água cristalina, pois estamos no Caribe Panamenho.
Logo na chegada encontramos com alguns brasileiros já conhecidos, que nos informaram que tinha altas ondas, ao contrário da semana anterior que estava totalmente flat nas diversas ilhas da região.Noite cheia de ansiedade!
Acordamos muito cedo, ainda noite, descolamos um táxi(nosso carro estava no continente), e fomos para um pico não tão perto, era Bluff’s. Uma praia de areias amarelas, com muitos coqueiros e deserta. Ondas? “Apenas” 5 pés tubular, quebrando bem no inside, uma onda perfeita para bodyboarders. Estávamos em uns 10 brasileiros na água, o crowd era de amigos, o mar perfeito, rápido e raso, uma onda difícil de ser surfada de longboard, como era meu caso, mas deu para pegar boas antes de partir ao meio minha principal prancha.
Punch, um bom reef breack foi o surf nosso de cada dia, esse pico sempre apresentava a melhor condição. Um surf básico, escolinha, 2-3pés de água cristalina vendo os afiados corais passando por debaixo das pranchas, uma onda era sempre igual a outra, errou?era só tentar de novo!Outra opção muito boa, era outro reef, um pouco mais adiante chamado Domper’s, um paraíso embora a onda quebrasse enfrente ao lixão da ilha, algo de dar vergonha para a raça humana, sinistro.Domper’s é uma onda rápida, para surfistas experientes, quebra ao lado de um rochedo pequeno e no meio da curta parede aparece uma grande cabeça de coral, o que faz com que você seja obrigado a sair da onda. Os dias vão passando, muito surf,surf de qualidade. Comida ruim, coluna reclamando do colchão, mas tudo vale o prazer do surf.
Outro swell previsto, todos afoitos.Uma certa manhã,muito cedo ainda, tudo treme, era um terremoto, sensação muito estranha, porém a certeza que viriam ondulações. Muito vento, tempo chuvoso, o mar subiu. Pegamos um barco para uma outra ilha checar uma famosa onda, Carenero, foi sem dúvida o maior e melhor mar da trip.Point breack, crowd forte e ondas de sonho com até 6 pés na série. O swell era consistente, durou vários dias, todos os dias íamos até essa esquerda que quebra pra dentro de uma baía, o que faz com que ela abra inteira mesmo sendo rápida e tubular. Cenas de filme.
A grana começa a ficar curta, afinal já são quase 20 dias de surf intenso, os ombros sentem, algumas dores se instalam pelo corpo, saudades de uma boa comida, da família e dos amigos. Pegamos o carro e partimos rumo à capital, para pegarmos o nosso vôo ao querido Brasil. Durante as 7 hs de viagem, muitos sorrisos, a felicidade por ter feito uma excelente viagem, com direito à muito sol, ondas perfeitas e novos amigo espalhados pelo mundo. Tendo sempre na mente a vontade de voltar e de fazer outras surf trips de gala. O surf é a vida e a vida é o surf. Deja viver!!!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

PANAMÁ - primeira parte





Conforme alguns planos com os amigos, iríamos fazer mais uma trip gringa, pra onde? Ficamos na dúvida entre Equador e Panamá, mas a dúvida durou pouco quando comparamos algumas informações sobre os dois países, no Panamá, janeiro seria a época ideal para surfar os picos do Caribe! Tudo certo então, Panamá seria o destino!Pra mim, uma grande satisfação estar novamente na América Central com los hermanos.
Desembarque tumultuado no Aeroporto Internacional do Panamá, um agito, quase perdemos uma das malas. Pegamos um táxi para um hotel para então no dia seguinte pegar um vôo doméstico para Bocas Del Toro, fomos checar a possibilidade logo cedo, surpresa, tinham apenas dois lugares e ainda por cima não cabiam minhas longboards, pois eram aeronaves de pequeno porte.O jeito? Alugar um carro e partir explorando o vasto litoral!
Após umas cinco horas pelo louco trânsito do país, chegamos à uma praia alucinante banhada pelo Oceano Pacífico, que para infelicidade se encontrava mais que pacífico, estava com 1 ou 2 pés, eram ondinhas muito lisas e muito bem formadas, excelentes para manobras clássicas, 9’6” na água, primeira queda depois de longas horas de viagem, um alívio.O visual de Playa Venao era simplesmente lindo.
Noite de estrelas, com temperatura amena, silêncio absoluto, um dos melhores “sonos” da vida. Acordamos muito cedo, checamos a condição, uma negação, as ondinhas haviam sumido, sumimos também. Próxima parada seria “la ola mays famosa da Central América”, Santa Catalina!
Várias horas pelas estradas precárias do belo e pobre país, e chegamos à um pequeno vilarejo, este, apresentava realmente o mínimo de estrutura para turistas. Mas como a pressa para “mirar la ola” era grande, logo descolamos uma pousadinha, de frente para o pico. Mesmo não sendo a melhor época de ondulações para esta região, algo nos dizia que seriam dias especiais. Já instalados, fomos dar a queda com um surfista local que conhecemos na pousada, o cara deu todas as dicas e caímos juntos, as ondas apresentavam cerca de 3 pés nas séries, uma qualidade impressionante, uma direita realmente de sonho, com um pôr-do-sol indescritível. A onda quebra a cerca de 300 metros da costa, o que faz com que você tenha que caminhar um pouco em pedras vulcânicas, machuca um pouco o pé, é bom calçar uma botinha de neoprene com uma boa sola, após essa breve caminhada pelas pedras é hora de remar, a remada é tranqüila, através de um canal chega-se ao out side com facilidade.
À noite uma pizzaria de um Italiano é a melhor pedida, vídeos de surf, revistas especializadas, toda a galera contando as histórias do dia, mesa de pebolim e uma das melhores pizzas que já comi. A condição das ondulações piorou no decorrer dos 4 dias que permanecemos nesse “pueblo”, como já havíamos visto, estava para entrar um bom swell no Atlântico, os boatos rolavam soltos e decidimos partir. A viagem seria de aproximadamente 8 horas pelas “carreteras muy malo”.
Estávamos muito animados, pois só ouvimos falar bem dos picos do caribe, vimos algumas fotos que pareciam Pipeline, claro guardada as devidas proporções.Enfim a expectativa era muito boa! A viagem de carro foi muito interessante, pois saímos do Pacífico subimos uma grande cadeia de montanhas com um visual fantástico, floresta densa, com certeza primária, praticamente inexplorada, muito preservada. Indicava que estávamos no caminho certa de muitas belezas naturais e é claro de muitas ondas!!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

SURF NO ASFALTO




Esse é mais um texto das antigas, o ano de 2006 foi um ano de Carveboard!




Um surfista fissurado viver numa cidade sem praia, é um sério problema, olhar as fotos dos picos preferidos todos os dias, sonhar com a sensação de surfar, ficar monitorando todos e qualquer swell e estar a mais de 100km da praia mais próxima. Vida dura. O jeito é matar a fissura com o Carveboard, e fazer o surf no asfalto.
O Carveboard é uma espécie de skate com pneus de borracha, molas, e um shape maior do que o convencional. Descer ladeiras longas com bom asfalto faz com que a sensação e a emoção sejam muito semelhantes com a do surf.
Devido a um compromisso no sábado à tarde, eu não poderia ir para a praia durante o final de semana inteiro, resolvi então esquematizar um final de semana alternativo, surf no asfalto no sábado de manhã e surf na água no domingo de manhã nas merrecas do litoral paranaense.
Sábado o dia amanheceu meio cinzento em São José dos Pinhais-PR, cidade sem praia, mas com boas ladeiras de asfalto novo. Na noite anterior já havia combinado com o Wagner, um amigo fissurado por todas as modalidades de skate e de esportes com prancha, para descobrirmos alguma ladeira nova na cidade. Fomos em direção a um bairro nas proximidades da BR-277, havia lá uma bela descida de asfalto recém inaugurado, que é caminho para o novo presídio da cidade. A rua ainda sem movimento de veículos, localiza-se ao meio de bosques de eucaliptos, sendo assim, um convite à diversão.
Estávamos com equipamentos de filmagem e fotografia para registrar os momentos. Como o dia estava nublado não tínhamos luz suficiente para produzirmos boas fotos, porém uma ou outra foto sempre fica boa... começamos então as descidas. No melhor estilo surf possível, fizemos boas manobras, íamos até o final da ladeira aproveitando ao máximo os cut backs, rasgadas e é lógico a adrenalina.
Descemos por mais de uma hora, uma descida atrás da outra, várias fotos, várias vídeos, as pernas já começam a ficar cansadas, mas continuamos, até começar a dar uns pingos de chuva. O céu estava cinzento, sinistro, começou a ventar mais forte, opa, final da session. Nos abrigamos no carro e começou a chover muito forte, chuva com vento. A diversão havia acabado. Caberia a nós neste momento aguardar o sábado passar e tentar fazer um surf real no domingo.
No caminho de volta para casa após a session, passamos por outros possíveis picos de Carveboard na cidade, olhamos, analisamos, e a chuva forte impedia que experimentássemos aquelas outras descidas. Agora era torcer para o dia seguinte ter umas ondas...ou marcar o próximo role de Carveboard, o surf no asfalto!!

ALOHA!!