sábado, 18 de dezembro de 2010






















Velejadores e Patrocinadores



O que dizer sobre os velejadores? Uma classe muito restrita de pessoas que acima de tudo escolheram este estilo de vida. Existe uma dedicação exclusiva à aventura, quase uma obsessão. Através de pequenos velejos e pequenos passeios, surge a paixão, o próximo passo é um bom curso de vela e a aquisição do próprio barco. Não interessa se o barco é grande, médio, pequeno, monocasco ou não, o que interessa é o grande prazer de deslizar sobre o mar, tendo como plano de fundo apenas os suaves ruídos do vento batendo na vela e da água sendo cortada pela proa do veleiro.

Alguns como o exímio aventureiro e velejador Amyr Klink, já passaram por essa fase de início e de descobertas, atualmente se dedica à grande expedições, sejam exploratórias, comerciais ou simplesmente pelo feito da navegação em si. Muitos populares podem entender o estilo de vida adotado pela maioria desses “lobos do mar” como de ociosidade ou de “vida boa”, confundem-se esses pela falta de informação e estudo, pois para preparar uma grande empreitada como essa, apenas para citar o exemplo, a Travessia entre o Continente Africano e a América do Sul em um pequeno barco movido à remo atravessando assim o imprevisível Oceano Atlântico, o velejador deve estudar muito sobre a metereologia, correntes marítimas, posições geográficas, oceanografia, dentre muitas outras ciências, deve trabalhar arduamente no projeto, para que tudo seja devidamente calculado e feito de forma precisa, para então, apresentar o projeto à um grande patrocinador e obter os meios financeiros para que possa dar frente à aventura.

Apenas as grandes empresas apóiam e patrocinam este tipo de atividade, e destas grandes, uma pequena parcela se interessa realmente em se envolver de tal forma à pagar custos do projeto e até mesmo o salário do velejador. Os esportes movidos à vento, em sua maioria, são esportes considerados caros e custosos, pois o valor do veleiro é alto, peças, manutenção, estaleiro, marinheiro. Quando um projeto é bem elaborado e dá um bom retorno de mídia para os patrocinadores, é um projeto de sucesso, como principal exemplo, temos a Família Schurmann, a qual se lançou ao mar com um projeto audacioso de completar uma volta ao mundo à bordo de um veleiro de porte médio tendo como tripulação uma professora, um economista e os filhos, 3 meninos, todos com menos de 14 anos.

A Família Schurmann, completou uma volta ao mundo, com previsão de duração de 2 anos, em 10 anos. Foram 10 anos de aprendizado no mar, fazendo deste estilo de vida um dos mais invejáveis por boa parte da população. Após um tempo em terra, mais precisamente em Santa Catarina, o casal volta ao mar acompanhado de um dos filhos para uma nova edição da expedição, uma nova volta ao mundo, desta vez com uma duração real de 2 anos. Durante à viagem, o casal adota uma menina. O Pai da menor, também um homem do mar, não tem condições de criá-la, pois trabalha em grandes embarcações e não tem tempo para se dedicar à criança. A pequena segue viagem com os novos pais.

Em uma simples análise: quanto custa tudo isso? Quem paga todas essas contas? Temos como resposta, grandes patrocinadores, investidores e os próprios velejadores que abrem mão de muitos bens, como carros, terrenos, apartamentos, para se lançarem ao mar e simplesmente viver, viver um estilo de vida único, com muita qualidade de vida, mas com um preço muito alto que é o risco eminente, a falta de verbas e os desconfortos causados por tempestades, calmarias, o pequeno espaço dentro do veleiro e até mesmo piratas. Um outro meio que mantém muitos velejadores solitários viajando pelo mundo são os conhecidos charter, ou seja, o aluguel do veleiro para um passeio pelos arredores de ilhas paradisíacas, com apenas o valor de um passeio, o velejador consegue se manter por aproximadamente um mês.

Deve ser citado também, como complemento, a família Grael, dos irmãos Torben e Lars. Torben Grael, teve como seu maior projeto a participação da Volvo Ocean Race, a maior e mais importante regata de volta ao mundo, utilizando veleiros de carbono com altíssimo desempenho e tecnologia. O custo do projeto foi de 80 milhões de dólares, parece muito? Isso foi metade do que as outras equipes gastaram. A participação da equipe brasileira liderado por Torben Grael foi um marco na história da vela nacional, foram quase 12 meses de regatas pelos mais diferentes oceanos do mundo, passando por diversos países tudo isso à bordo de um veleiro de 70 pés, fabricado no Brasil, o Brasil 1. Torben e Lars, além de medalhistas olímpicos e de participarem de diversas expedições pelos mares, mantém, juntamente com um patrocinador, um projeto social em Niterói, o qual ensina crianças carentes a arte da vela e o amor ao oceano.

Projetos, patrocinadores, velejadores, logísticas, mídia, todos caminham juntos, para que a população possa assistir, ler e sonhar com esse jeito especial de viver, que é viver no mar.

Maurício Bastos

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Expedição Iciguajur 2010




Já há algum tempo me surgiu à idéia de explorar um pedaço do litoral do sudeste. De todas as praias que já visitei, cada uma tem sua beleza e particularidade. A minha preferência, sempre foi por praias desertas e selvagens, e claro que tenham pelo menos alguma condição para a prática do surf.

Após algumas pesquisas e informações sobre esse local pouco falado e pouco explorado, fiz o convite à alguns poucos amigos para ver quais seriam os companheiros nesta expedição. A data foi marcada com bastante antecedência para que todos pudessem se programar com seu trabalho e família. Escolhemos o mês de maio por ter a certeza de não ser ainda tão frio, por ser um mês de característica seca tendo um baixo índice pluviométrico na região, por ser uma época de boas ondas e também para fugir do calor do alto verão, pois teríamos que acampar.

Carlos Lima e Wagner Meiga, estes foram os parceiros na empreitada. Eu atualmente morando em Mariscal-SC, Carlos morando em Matinhos-PR e Wagner entre Curitiba-PR e São Franscico do Sul-SC. Nossa saída foi de Curitiba por questões logísticas. A bordo de uma Land Rover Defender 110, com todos os equipamentos necessários, pegamos a estrada às 10 hs da manhã de uma sexta-feira, e seguimos por asfalto durante aproximadamente 3 horas rumo ao estado de São Paulo. Após aguardar a chegada da balsa fizemos a travessia para uma ilha, nesta ilha teríamos para percorrer 70 km de areia pela praia, surpresa, maré muito alta dificultando muito o deslocamento. Apesar de estar com um veículo preparado para estas ocasiões, resolvemos acampar em um local na própria ilha. Após uma trilha de areia fofa e algumas curvas pelo meio da restinga, achamos o local ideal, próximo a um rio, abrigado do vento por pequenas dunas e a alguns passos da praia.

Naquela tarde, as ondas não apresentavam boas condições, com a maré muito cheia e com um pouco de vento maral que atrapalhava a formação das ondas. Ficamos então montando nossa estrutura e nos divertindo com um cenário deslumbrante de fim de tarde em um local totalmente inóspito com acesso restrito à exploradores.

Depois de tudo montado e devidamente arrumado, tivemos um pôr do sol magnífico e para nossa surpresa um nascer de lua cheia impressionante, e o melhor de tudo, em um local deserto apenas com os amigos. Já na fogueira, fizemos nosso jantar e conversávamos sobre outras surf trips e locais irados que ainda temos que conhecer.

No sábado cedo, após assistir e fotografar o nascer do sol, fizemos um lanche e caímos na água, as ondas tinham 0,5 metro com boa formação, o mar estava muito liso, a maré estava bem seca, o que fez com que as ondas estivessem bem em pé e proporcionassem bons momentos para todos. A água tem a tonalidade marrom, o que no início dá um certo receio, ainda mais com uma grande quantidade de peixes pulando, mas logo depois já estávamos sorrindo e surfando bastante. Aproveitamos a manhã toda e logo iniciamos a desmontagem do acampamento, pois iríamos mais para o norte. Nos deslocamos pela areia da praia, curtindo o belo visual e curtimos a imensidão de areia e mar que víamos por kilómetros e kilómetros. Ajudamos um pequeno caminhão a desencalhar, pois a maré já estava subindo e fazia com que precisássemos andar pela areia mais fofa, demos carona a um senhor catador de conchas para artesanato, tivemos uma tarde muito prazerosa e divertida. Saindo daquele universo de areia, passamos por duas pequenas cidades e nos dirigimos à outra balsa, a qual nos levaria a uma reserva ecológica com mais uma praia deserta e também com mais ondas.

A balsa atravessa o escuro e poluído Rio Ribeira, alguns minutos e chegamos numa simpática vila, da qual já saímos em direção a nossa estrada de areia, ou seja, a própria praia.

O descolamento estava difícil e perigoso devido a maré muito alta, que em alguns pontos chegava a encostar na vegetação da restinga, mesmo assim, com a reduzida engatada, nos deslocamos por alguns kilómetros desviando da água salgada, dos bolsões de areia e dos inúmeros troncos de imensas árvores que vinham até a praia com a força das ressacas de semanas anteriores. Após uma rápida reunião de análise de riscos e das condições de surf, decidimos encontrar um local seguro para acampar por ali mesmo. Encontramos uma trilha estreita dentro da restinga e por ali passamos com nossa valente defender, após alguns arranhões na lataria, uns trechos de areia fofa e outros trechos um pouco mais fáceis, achamos um bom local, bem escondido, alto e seguro. Montamos tudo, coletamos lenha para a fogueira da noite e nos preparamos para uma noite relativamente fria e com um imenso luar novamente. Ao anoitecer, as cores do céu estavam de deixar qualquer ser humano deslumbrado com tamanha beleza e com a riqueza dos tons. Mas neste momento éramos devorados por nuvens de mosquitos incansáveis e resistentes a repelentes e a fumaça da fogueira, foi impressionante a quantidade e a fúria com que fomos atacados. Rapidamente comemos e entramos correndo na barraca, dormimos cedo, pois o dia seguinte certamente seria mais um dia especial, e foi.

Barraca molhada, teias de aranha brilhando no mato, devido a maresia e ao orvalho que foram muito fortes durante a noite, mais um amanhecer daqueles. Fomos checar as condições do mar, nos deparamos com ondas lindas, água verde escura, espuma branca, maré seca e o melhor mais de 20 kms de praia só para nós. Arrumamos tudo, desmontamos o acampamento e fomos até um costão de pedra para tomar nosso café da manhã. Foram quase 15 km de areia apreciando o nascer do sol, em alguns trechos a areia era fofa, dificilmente um carro 4x2 passaria por ali, essas são as vantagens de um autêntico 4x4, esses veículos nos levam a lugares fantásticos.

A formação das ondas e a qualidade do mar foram aumentando a cada momento, pois com a maré subindo as ondas ganhavam pressão. Não demorou muito até que caíssemos na água. Ondas cheias e longas, um playground. Diversão para todos em um domingo perfeito, de ondas boas, um lugar paradisíaco reservado só para quem busca a natureza na sua mais pura essência. Foi assim nossa manhã de domingo, nós os 3 amigos que andavam de carveboard pelas ruas asfaltadas de Curitiba agora estavam na mais bela natureza fazendo o que mais gostam.

Surfamos até cansar e decidimos começar o retorno, pois não podíamos pegar a maré muito cheia na nossa “estrada”. Conseguimos sair de lá com meia maré, rendendo bem nosso deslocamento off Road. Foi um deslocamento tranqüilo, divertido e de muito alto astral após vários momentos mágicos vividos intensamente. Pegamos a balsa novamente para entrar no “mundo real” e cerca de 300 kms de asfalto para enfim encerrar nosso final de semana. Chegando ao nosso ponto inicial de partida nos despedimos sabendo que bem em breve estaremos nos encontrando para mais uma inesquecível expedição pelo nosso belo Brasil.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Início do meu surf!


O mar sempre cria um certo fascino nas crianças, comigo não foi diferente. No início, sempre um pouco de medo, um tipo de receio e atração ao mesmo tempo. Quando a criança tem por volta dos 2 ou 3 anos, geralmente os pais levam apenas para se molhar e sentir o prazer de estar envolvido com o meio aquático. Com 4 ou 5 anos a vontade já faz com que a criança não queira sair da água na hora da família ir embora da praia. Quando acontece isso, pronto, a paixão pelo oceano se desenvolveu dentro daquele pequeno ser.

Comigo ocorreram essas fases também, como naturalmente ocorre com todos que estão envolvidos de alguma forma com o oceano. Isto não é uma regra, mas se encaixa em milhares de casos. Com um ano de idade meus pais estavam comprando uma casa em Guaratuba, litoral sul paranaense. E com essa idade comecei todo aquele processo de aproximação com o mar citado acima. Passada esse primeira fase, com aproximadamente 7 anos eu não agüentava mais ficar apenas brincando na areia, embora fosse uma atividade muito divertida, construir buracos profundos e pistas de moto-cross, então resolvi pedir de presente uma prancha de isopor para começar a me aventurar nas ondas.

O local dessas primeiras experiências foi na Praia do Morro do Cristo em Guaratuba-Pr, local esse freqüentado por diversas famílias tendo como características banco de areia reto com ondas fracas, sendo um ótimo lugar para banhistas. A primeira ondinha, foi um marco na minha vida, como era boa aquela sensação, eu não queria mais sair da água. As férias duravam aproximadamente uns 15 ou 20 dias por ano, bastante sol e calor, barriga assada devido ao contato da pele direto com o isopor.

No segundo verão de “surf” ganhei uma prancha um pouco maior, que às amarrei até uma cordinha de varal como se fosse um leash. Essa prancha era bem melhor, deslizava com mais velocidade, entrava melhor nas merrequinhas. Começaram os laços de amizade que o surf proporciona, já éramos um grupo que surfávamos todas as manhãs no mesmo local. Alguns dos “surfistas” da época, Pituxa, Tite, Juninho... e mais alguns que agora não lembro o nome, mas lembro muito bem dos sorrisos após mais uma ondinha até a areia. Diversão, sensação de liberdade, contato íntimo com o meio ambiente. E assim mais uma temporada de verão, o inverno parecia não passar ou passar muito devagar para que chagasse a época tão esperada para que pudesse novamente sentir aquela sensação agradável. E assim se passaram umas duas ou três temporadas de verão.

Em Curitiba, cidade natal infelizmente sem praia, eu tentava ter contato com a cultura surf, mesmo com aproximadamente uns 10 anos de idade, comprava umas revistas de surf, freqüentava uma loja da Hang Loose ( que eu achava um sonho), pedia dicas para um primo que já fazia algumas pequenas surf trips e no colégio já se formava também uma pequena tribo que admirava esportes ligados à natureza, como o surf, e o body board.

Passado o longo inverno, eu amarradão agora com uma prancha Morey Booguie da 775 estava mais fissurado para colocar na água aquela que seria minha companheira por 2 ou 3 verões. Ainda no Morro do Cristo com a mesma turma, entram alguns novos integrantes como o Léo e o Klévis. Todos uns pirralhos unidos apenas com um intuito: se divertir, e muito. 4, às vezes 5 horas seguidas na água. Não queria sair, sempre queira pegar mais uma onda quando meu pai fazia sinal da areia para irmos embora. A leitura agora é a revista da época especial para Bodyboarders, a Fluir Bodyboard. As roupas são 100% surfwear, maior estileira. Começo a entender um pouco mais sobre o esporte, sobre equipamentos e sobre as condições do mar. Não posso dizer que aprendi a surfar e saber sobre o surf sozinho, muitos amigos, através das experiências vividas, foram auxiliando na minha formação. Participaram desse processo, grandes amigos, os quais muitos deles tenho contato até o surf do dia de hoje, pois ainda pegamos ondas juntos como na infância. Alguns destes: Juninho, Tite, Klévis, Léo. Alguns outros grandes amigos também influenciaram, mas não na infância, tiveram influência mais tarde.

No final dos anos 80 não tínhamos as facilidades e tecnologias utilizadas e muito hoje pelos surfistas. Escola de surf, aqui no sul, ninguém sabia o que era. O acesso a equipamento era muito mais restrito, não tendo as grandes variedades e quantidade ofertada pelo mercado atualmente.

Com 13 anos convenci meu pai de me dar uma prancha de surf de fibra. Fui junto com ele na loja Grajagan no Omar Shoppinhg para escolher o modelo que melhor se adequasse para que agora começasse a surfar de verdade, em pé. A prancha escolhida fui uma triquilha, 6’1’’, New Advence, branca, com bastante borda, branca, semi-nova. Fiquei infinitamente feliz com o presente, não via a hora de estreá-la. Com essa prancha, não podia mais surfar no mesmo local, tendo em vista a quantidade de banhistas. Ainda mais aprendendo a ficar em pé, ia ser caldos e atropelamentos pra todo lado.

Enfim chega o verão, praia lotada, ondas pequenas e um sol escaldante. Junto com o Klévis e com o Tite, lá ia eu todos os dias caminhava com a prancha em baixo do braço do morro do cristo até a Praia Central. Uma caminhada de uns 15 minutos, perto. Na central a ondulação entra mais de frente, fazendo com que as ondas sejam mais forte e fechem mais rápido do que aquelas ondinhas que eu estava acostumado. Aos poucos eu ia me ajeitando, meus dois amigos também estavam na fase de aprendizado. Eu ainda tinha um pouco de medo de pegar um mar mais forte. Depois desse verão eu já estava acostumado a surfar na Central e já pensava em ir surfar na Praia Brava, tão falada pelos surfistas da época. Fim de verão tristeza no coração, minha família não costumava ir pra praia no inverno. Nesse ano que passou de tanto perturbar a vida do meu pai, consegui que ele me levasse alguns poucos finais de semana fora da temporada, era diversão garantida, eu não queria volta embora nunca.

Em meados de 92 , 93 eu já estava com mais prática e já ia desbravando as ondas da temida Praia Brava, mais especificamente no pico chamado Paraguaios. As ondas da central não me assustavam mais, e eu queria novas emoções. Foi nessas duas praias que aprendi e fui me aperfeiçoando no surf. O interessante é que mesmo sem falar com os amigos o ano todo, quando chegava o verão, sem combinar, todos apareciam com suas pranchinhas prontos para curtir aqueles momentos de surf e amizade. Dominávamos o crowd que começava a se formar nos Paraguaios, surf de manhã e de tarde todos os dias durante uns 40 dias no alto verão. Nesta mesma época comecei a praticar Mountain Bike também , o que me fez afastar um pouco da fissura do surf. Surfava apenas no verão, sem muito compromisso, os treinos e os interesses era pela bike, o mais novo brinquedo.

Mesmo pedalando bastante, a alma era surf. Queria uma prancha nova, maior, mais estável. Comprei uma Canfield 6’5”, bem mais radical do que primeira. Comprei em loja mesmo, o vendedor ajudou na hora da escolha da prancha ideal. Nessa compra eu já estava com 16 anos, queria começar a surfar no inverno também. Chega de só se divertir no verão, queria surf o ano todo, era uma das melhores coisas da vida, os amigos, o prazer do surf, a liberdade. Comecei a ir todos os finais de semana, de ônibus da linha Lapeana, eu e meu amigo Polaco. Slive O’neill, muito bem escolhido, prancha nova e um monte de viagens e desafios pela frente. Ir sozinho, só com o amigo, sem saber se ia ter onda ou não, comer miojo, caminhar mais de 20 min. até a praia, enfrentar o frio, tudo isso era o início da busca pela onda perfeita. Um surfista autêntico sempre quer mais.

Logo no primeiro inverno, queríamos sair de Guaratuba e começar a surfar em outras praias. Eu já havia surfado uma vez na Brava de Matinhos, mas ainda estava de Body Board. Meus amigos nunca haviam saído de Guará para surfar em outros mares. O primeiro desafio foi ir para Matinhos, depois para outras praias como Praia de Leste, Ipanema, todas no minúsculo litoral do Paraná. Com 17 anos conheci o brother Tiago, ele estava muito a fim de iniciar no surf, então ajudei ele escolher os equipamentos ideais. Começamos a nos jogar para outros picos, com mais qualidade de surf do que as merrecas paranaenses. Floripa foi a primeira grande “descoberta”, simplesmente show, água clara, altos visuais, sereias e boas ondas. Fantástico!!

Assim as viagens começaram a ficar cada vez mais freqüentes, o grupo de amigos maior, as experiências mais interessantes e o número de dias de surf/ano muito mais intenso, eu estava completamente contaminado pelo vírus positivo do surf. Cada viagem uma história, cada onda surfada mais sintonia com o oceano, cada novo amigo novas trocas de experiência. Nunca aprendi os ensinamentos do surf em uma escolinha, fui e sou um auto-didata que busca conhecimento nas mais diversas ondas do planeta. Viva e respire o surf!!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Expedição Iciguajur 2010


Em breve será postado o relato desta expedição!Por enquanto assista o filme e entre na vibe da trip!



segunda-feira, 3 de maio de 2010

Diversão



Inverno. Chuva e frio. Época de boas ondas. Final de semana chegando, combinamos a trip eu, Daniel, Robson, Renato, todos da Praia Secreta Expedições. Num último momento juntou-se a nós o Tiago, velho amigo de tantas trips e roubadas.

O destino era Guaratuba, apenas passar o sábado, pois o domingo tínhamos um trabalho. As previsões não eram muito animadoras, swell médio de sul com vento sul moderado. Mas todos muito fissurados e com muita fé para encontrar umas marolas.

Parati prata ( quase um 4x4) abarrotada de pranchas em cima, chuva a viagem inteira. Quanto mais chovia, mais aumentava a expectativa de todos. Na chegada em Coroados, decepção. Chuva, frio, vento sul forte, mar escuro e mexido, flat. Indo em direção à praia central, checamos outros picos pelo caminho, mas a condição era a mesma, pois a praia é aberta e não protege do vento.

Na praia central, as condições não eram muito diferentes, o vento soprava implacável encrespando as ondinhas com menos de 0,5 metro. O único empolgado era o Tiago, ele estava morando no interior de São Paulo e não via o mar já fazia algum tempo. O Renato, seguindo o Tiago, que nesse momento já trocava de roupa, também nos comunicou que iria dar a queda. Eu me encolhia um pouco com o frio úmido que fazia naquela manhã. O Daniel e o Robson nem cogitavam a idéia de cair naquele marzinho flat, gelado e mexido.

Num momento repentino, troco de roupa e decido não abandonar meus amigos atirados num momento difícil desses. Dei a queda, realmente as ondas estavam muito ruins, não tinha condições de surf decente. Só pelo fato de estar na água com os amigos, valeu cada segundo do frio e da chuva.

Eu, o Renato e o Tiago estávamos amarradões. Saímos da água muito feliz, trocamos de roupa com as extremidades arroxeadas...mas tudo bem!

Após um belo peixe na hora do almoço, decidimos retornar para Curitiba, pois realmente no período da tarde não haveria surf. Chegando em Curitiba, fomos jogar uma sinuca. Diversão garantida. Um sábado, onde a maioria das pessoas não sairia nem de casa, surfamos, rimos, vivemos!

sábado, 17 de abril de 2010

IIº Encontro Catarinense de Land Rover



Acontecerá nos dias 25 e 26 de setembro no município de Urubici na Serra Catarinense o IIº Encontro Catarinense de Land Rover.

O Encontro é uma iniciativa de proprietários e amantes da marca e tem como principal objetivo reunir e confraternizar com “landeiros” de todo o estado e também de outros locais do Brasil.

A programação visa à total integração dos participantes, contendo passeios pelas belas paisagens e pontos turísticos da região, refeições em restaurantes locais e também um jantar para que todos possam contar suas histórias e experiências com o lendário veículo 4x4. Será realizado um sorteio de equipamentos e outros brindes.

A participação é gratuita, porém, é necessário ser proprietário de um veículo Land Rover. Hospedagem, refeições e outros gastos ficam por conta do participante.

O evento conta com o patrocínio de www.africa4x4.com.br , www.armazen4x4.com.br e apoio www.solparagliders.com.br , www.residencialangelin.com.br , www.jorgealbertogomez.com.br .

Informações e inscrições podem ser feitas pelo e-mail: mauguara@hotmail.com ou pelo telefone 47 9606-4422.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

JURÉIA – flat num dia, no outro....




Sexta-feira, 5 hs da manhã, eu e Daniel Spinelli, amigo de várias roubadas, chefe de várias empreitadas, partindo apenas para mais umas delas! BR-116 sentido litoral sul de São Paulo, parati branca, socada de equipamentos ( barracas, lonas, alimentos, pranchas), e uma certeza, muita diversão e surf com amigos.
Amigos?Sim, amigos! No mesmo dia no período noturno chegaria um ônibus com vários surfistas amigos e parceiros comerciais. Voltando à parati, 3 hs aproximadamente em uma estrada perigosa, com muitas curvas, caminhões, buracos e tudo mais que uma 116 oferece aos seus usuários. Mais 1h30 min em uma estradinha de terra com apenas 30 km e pronto chegamos! Praia da Barra do Una, Estação Ecológica Juréia-Itatins, um paraíso com Mata Atlântica intocada, praias desertas e quase nenhuma estrutura. Muitas restrições quanto à visitação do local, mas nenhuma quanto à principal atividade de interesse, o surf.
Restrição ao surf por parte da Estação não tinha, mas por parte de Netuno, tinha todas. O mar estava totalmente flat. O que vamos fazer quando a galera chegar, estão todos vindo apenas para curtir as ondas e a natureza do local, essa era a pergunta do momento. Frescobol, corrida, trekking, conhecer o mangue, seriam algumas das opções.
Trabalhamos duro na montagem da estrutura, 12 barracas devidamente erguidas na base de uma montanha, em frente a uma restinga intacta que separava o camping da praia e do velho amigo Mar. Sem surf, ficamos um pouco desanimados.
22 hs: para encontrar o ônibus que chagava tendo como guia o Laranja, mais buraqueira na estradinha e chegamos na cidade mais próxima para aguardar. Começa a ventar muito, muito mesmo, um vento sul com uns 40 nós ou mais, balançando o carro estacionado na beira-mar. Procuramos um abrigo para o carro, pois além do vento forte, também começava a chover intensamente.Concrete Blonde era a trilha sonora do momento, adrenalina correndo solta, nem pensamos no que podia se transformar o mar, mas sim no que podia se transformar o nosso querido acampamento.
2 hs da manhã chega o ônibus, comunicação rápida com o Laras e vamos enfrentar a tal estradinha, agora completamente alagada e cheia de atoleiros devido uma verdadeira tempestade. Parati guerreira!! Quase apagou na travessia de um riacho alagado, entrou água pelas borrachas da porta molhando um pouco no seu interior, enfrentou as lamas e dificuldades de um caminho no meio da Mata e chegou com dificuldade ao acampamento.
O acampamento!!! Estava inacreditavelmente tudo no seu devido lugar, barracas com o interior seco, apenas uma lona de área comum tinha soltado as cordas, mas estava tudo sobre controle.Ufa! Era início do mês de maio, quando amanheceu, um ar gelado, sem vento algum, com um céu azul sem nenhuma nuvem, o dia estava lindo não dava pra acreditar que havia à poucas horas uma tempestade tão forte. Quando acordei, primeiro sentido que me chamou atenção foi a audição, o barulho das ondas estava realmente alto.
Saindo da barraca subi numa pedra junto com outros integrantes da trip, para poder observar lá de cima como estariam as condições de surf para o fim de semana. As condições estavam gigantes, séries com 10 pés plus arrebentavam perfeitas em um mar de tom marrom devido a saída do Rio Una e do tipo de sedimento da praia, essas séries quebravam muito longe da costa, tendo 4 ou 5 arrebentações, a espumeira das ondas deixava tudo branco. Havia também uma correnteza forte, o que fez com que todos fossemos andando até uma outra praia próxima, a Desertinha.
Marco Kamers, Daniel Spinelli, Rodrigo (Vaco), Emerson ( HB), Laranja, eu e vários outros, iniciamos a longa remada no meio da espuma, arrebentação além de estar muito longa, estava também muito forte com séries intermediárias com 5-6 pés. A forte corrente rapidamente arrastou todos ao longo de um costão rochoso para a próxima praia, Caramborê, e rapidamente para a praia da Barra do Una, onde estávamos acampados. Uma série enorme varreu quase todos restando no mar apenas o Vaco e o Laras, este último foi o único que conseguiu chegar lá fora com sua Body Board, Vaco foi logo pego por outra série com tamanho entorno de 2 metros e cuspido pra fora como os outros. Tudo isto estava sendo muito bem registrado pelo Fabiano Sheroden em cima de um dos costões.
O clima no momento era de adrenalina, medo e ansiedade. Todos queriam ver o Laranja dropar uma daquelas morras lá de fora. Foi o que ele fez, pegou uma enorme e todos comemoraram e aplaudiram, ele não conseguiu voltar lá pra fora e saiu do mar.Estavam impressionados com o tamanho e a força do mar, sinceramente acredito que foi um dos maiores que já vi.
No decorrer do final de semana, um ambiente amigo, um contato intenso com a natureza, a presença de vários bons surfistas, o espírito aloha presente em todos, totalmente contagiante. O mar foi gradativamente baixando, tendo assim condições de surf no domingo. Um metrão com séries maiores, todos ainda um pouco assustados com o fenômeno do dia anterior. Fizemos a cabeça, todos se deram bem, surfando longas ondas, um pouco balançadas, abriam para os dois lados até o inside, um pouco de correnteza ainda estava presente, mas totalmente sob controle. Na saída de lá, no fim de tarde, a vontade de ficar mais um dia, pois sabíamos que aquelas ondas iriam quebrar perfeitas e sozinhas durante o fim desse swell monstro que atigiu todo o litoral brasileiro. No retorno, muitas histórias, muitas lembranças, muita expectativa para ver as fotos, muita amizade e alto astral dessas pessoas que sabem curtem a vida ao extremo. Agradeço a participação de todos que contribuíram de alguma forma para esse experiência fantástica e à Netuno que mostrou toda a força e imponência do oceano!

domingo, 21 de março de 2010

ITACARÉ – TRIP GRINGA EM TERRITÓRIO NACIONAL



Cansados da mesmice de pegar sempre os mesmos picos, as mesmas ondas, eu, Miguel, Diogo e Silveira resolvemos fazer uma trip para um lugar, que segundo relatos, seria calor, teria boas ondas e visuais de sonho.

Após algumas pesquisas de valores de passagens aéreas, pousadas, aluguel de carros e outros detalhes, resolvemos virar turistas comuns, pois era muito mais barato, praticamente metade do preço. Compramos um pacote turístico com umas dessas operadoras famosas, incluindo aéreo, translado, pousada com café da manhã, piscina e ar condicionado, super luxo. Algo que em geral, nas surf trips não acontece.

O vôo saía de São Paulo, para ser mais econômicos preferimos fazer de carro os 400 km até lá, economia de mais ou menos uns R$ 300,00 por pessoa, valia a pena atravessar a madrugada na estrada, 6hs de sono e cansaço na BR-116. Chegando em São Paulo, fomos direto ao Aeroporto, tínhamos um tempo de sobra, pois não podíamos correr o risco de atrasos, sendo que éramos integrantes de uma excursão, he he, isso mesmo! Logo, o avião decola e uma sensação de ansiedade misturada com alegria toma conta de todos nós. Será que vai ter onda, será que não vai ter muito vento, será, será...

Pausa em Salvador, um pequeno atraso no vôo, algum tempo aguardando dentro de um ônibus na pista do aeroporto, momento de angústia e de maus cheiros. Enfim, após esse episódio desesperador, seguimos viagem e desembarcamos em Ilhéus, cidade histórica baiana já bem próximo de do nosso destino, Itacaré. Mais uma hora de ônibus e chegamos. Tratados como bons turistas, o transporte nos deixou na porta de uma pousada bem simpática, com piscina e tudo mais, lugar alto astral.

Já era fim de tarde, todos muito cansados, demos um tempo nos quartos e logo saímos para jantar e conhecer a cidade. Dormir cedo e acordar cedo eram os combinados dessa viagem, o dia amanhece cedo e queríamos aproveitar cada minuto de surf.

Nos primeiros raios de sol, todos em pé e fomos direto para o pico mais próximo da pousada, para a primeira queda nas águas baianas. Praia da Tiririca, curta faixa de areia, entre costões de pedras, do outside pode-se visualizar os picos vizinhos, os quais naquelas condições não quebravam de forma ideal. Pegamos 0,5 metro forte, ondas rápidas, consistentes e divertidas, chegamos no pico antes das 6hs da manhã e já havia alguns surfistas na água. O crowd nesse pico é algo impressionante, qualquer que seja a hora ou a condição do mar sempre tem muita gente, justificado pela qualidade e consistência das ondas e pela proximidade com o centrinho da cidade, pico de fácil acesso mesmo à pé. Após nossa queda inaugural tomamos um belo café da manhana (como dizia o dono do estabelecimento, um argentino aposentado). Descansamos um pouco e saímos pela cidade para um reconhecimento da área e para localizar as locadoras de veículos, era imprescindível um carro para explorar os picos da região.

Uma longa procura e várias negociações depois, conseguimos um Uno verde, que chamávamos carinhosamente de Uno Rover, imaginem porque? Começamos então a ficar descolados na cidade, o Silveira já tinha estado ali já fazia alguns anos e serviu como um guia ou quase isso, deu boas dicas e algumas furadas também. Diversão em alto estilo marcou a barca. Havia uma previsão de um swell mais forte para os próximos dias, fomos então verificando quais seriam as praias visitadas e que pudessem oferecer as melhores condições de surf. Partimos em seguida para a primeira mini-expedição, uns 10 km de Uno Rover e uns 40 minutos andando por uma trilha enlameada no meio da Mata Atlântica, visuais paradisíacos. Passamos por um pico chamado havaizinho, mas não era ali o surf, o swell não batia nesse local e a maré seca deixava as pedras amostra, seguimos a trilha e chegamos na Praia da Engenhoca. A praia tem aproximadamente uns 500 mts com dois picos definidos, o direito e o esquerdo, com aquela situação era o pico esquerdo (norte) que quebravam as melhores séries. Rodeada de coqueiros, com um riozinho saindo no canto direito da praia era realmente um visual de sonho, aquecemos e caímos na água, as séries vinham com a média de 0,5 metro, sendo algumas maiores, abriam muito. Fizemos a cabeça até os braços não agüentarem mais. Banho de rio e coco verde para refrescar,iniciamos a caminhada de volta, a alegria contagiava a todos.

O ritmo de vida da cidade gira em torno do ecoturismo, todos acordam muito cedo para aproveitar ao máximo o dia. Nós fazíamos exatamente o mesmo acordando ao amanhecer e surfando o dia todo, às 20 hs estávamos todos quebrados, mas com o astral mais zen possível, ligados e integrados totalmente com a natureza num estilo de vida baiano. Vida calma, pacata. Os dias seguiram rapidamente, com vários momentos mágicos, lembro-me nitidamente do pôr-do-sol de Itacaré na praia do Pontal, fim de tarde vermelho com a cidadezinha ao fundo, e eu e meus amigos curtindo a praia deserta, quase sem fim.

Outro programa marcante foi a visita à Prainha, saindo da pousada caminha-se por uns quinze minutos por uma estradinha, passando pelas praias do Tiririca e do Rezende, só então entra-se numa exuberante mata-atlântica, andando num ambiente puro e natural, com vários pássaros, um pouco de lama e muita fissura para encontrar uma bela praia recheada com ondas perfeitas. Chegando no pico, água verde, meia dúzia de turistas (estes em geral hospedados em um hotel que fica logo após a linha de coqueiros e restinga) e muitas ondas. As ondas quebravam em média com 1,0 metro, fortes e tubulares, fizemos a cabeça num dia lindo com muito sol. Após algumas horas dentro da água, o esquema é sair e tomar uma água de coco curtindo o visual sentado na sombra dos coqueiros. E assim foi passando o dia. Muito surf, calor e alto astral.

Cada dia, desbravávamos um pico diferente, que era programado conforme os ventos e a direção do swell. Chegou o dia de ir para a Praia de Jeribucaçú, até o nome assusta. Esta é umas das praias mais isoladas do município. O caminho até lá é longo, 15 km do centro da cidade por estrada asfaltada em boas condições, deixa-se o carro em uma fazenda pagando uma taxa não tão simbólica, pranchas em baixo do braço e mochila nas costas e começa a camelada. 50 minutos de estradinha de terra descendo uma grande ladeira, local lindo, depois caminha-se por uns pastos e por fim chega-se na praia. Esta,é um banco de areia fofa com um rio escorrendo lentamente pelo lado direito, do lado esquerdo um grande gramado verde impecável com coqueiros. As ondas quebram dos dois lados, devido ao vento forte do quadrante sul, surfamos boas ondas no cantinho direito protegido do tal vento. Fazia muito calor, a água era quente, e o sol escaldante. Depois de muito surf, hora de relaxar e tirar umas fotos no rio, água cristalina com fundo de areia. Diversão o dia inteiro, hora do regresso e que regresso...Subida, muita subida, todo o morro de novo para então chegar no estacionamento onde estava o Uno Rover. A longboard ganhou alguns quilos, o corpo cansado do surf pedia arrego, mas não tinha outro jeito ao não ser caminhar morro acima para só a noite descansar como um anjo, porque no dia seguinte tinha mais.

No dia seguinte teve mais, mais onda, mais sol, mais surf. Voltamos para Engenhoca o swell era perfeito para o pico. Séries com até 1,5 metros, massas d’água vinham gordas do outside, só os amigos na água, paredes abrindo lembrando muito um pico que aprecio aqui no sul. Muito bom, estava de gala. Foi o melhor surf da trip!

Faltava mais uma praia apenas, e é lá que fomos, Praia de Itacarezinho, o mar baixou significativamente e o vento aumentou a intensidade. Chegamos cedo na praia, praia fechada, mas que pagando uma taxa entra-se com o carro. O estacionamento fica a uns 10 metros da areia, conforto total, estávamos acostumados com um perrengue um pouco maior. Praia longa, deserta, mas não por muito tempo, logo depois que chegamos chegou um ou dois ônibus de excursão, acabando com o sossego daquele lugar. O surf de má qualidade, 0,5 metro mexido com muito vento e sem formação, não animou muito. Demos a queda e logo saímos, curtimos um pouco como bons turistas e retornamos para a cidade.

Nossa viagem estava chegando ao fim, foram 7 dias de muito sol, surf, águas verdes, mata atlântica, amizade, novos horizontes, enfim uma surf trip completa em território nacional. Muitas rizadas, descontração, companheirismo e surf na veia, registraram a trip na mente de cada um dos participantes. Não vejo a hora de voltar, Itacaré é show!!!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Surf Trip Litoral Sul - parte 2




Há alguns dias em território Uruguaio a saudades do solo Brazuca começa a bater, principalmente da comida, da alegria das pessoas, dos amigos e da namorada. Agora estávamos indo em direção Montevidéo, o plano era conhecer e se possível surfar todos os picos.
Transitando pela rota 9, visitamos Balizas, onde havia um vento forte estragando as condições para o surf. Seguido às orientações dos mapas chegamos em um local próximo ao Cabo Polônio. Este cabo é de difícil acesso e não constava como um pico de surf, mas como estava sem ondulação encaramos os 20 min. de caminhão 4x4 até a Vila ao lado do grande Farol, sem as pranchas mesmo, somente para conhecer. O lugar é espetacular, o mais exótico que visitei no Uruguai, é uma Vila Hippie no meio do nada, tem praias desertas dos dois lados e a única maneira de chegar lá e com um bom 4x4 com um piloto experiente, muita areia e alguns atoleiros fazem parte do caminho. Para completar o visual as pedras em frente ao Farol ficam repletas de Leões-Marinhos, estes ficam ali para descansar e se proteger de predadores. O lugar é muito esquisito, mas a vibração é muito boa, as pessoas caminham calmamente de um lado pro outro, sem ter muito o que fazer da vida. O cabo recebe no inverno grandes ondulações, sendo um local muito propício para pegar umas boas ondas, tem muito potencial.
Através da rota 9 alcançamos uma outra cidade chamada La Paloma. Antes de entrar na cidade passamos por um outro vilarejo, La Pedrera. Ali quebrava uma onda de 0,5 metro boa, desistimos da queda devido a forte chuva que caía. É hora de pesquisar pousadas e hotel. Depois de perguntar em uns 3 estabelecimentos, resolvemos nos hospedar em um albergue, era a opção mais barata, aliás 3 vezes mais barata do que o hotel mais barato! Ficamos ali 3 noites, fizemos amigos, demos rizadas e curtimos o astral do albergue que fica no meio de uma floresta de eucaliptos.
Dia 15 de janeiro, um domingão, demos uma queda numa praia da região. La Aguada quebrava uma ondinha de 0,5 metro lisinha, com água marrom com as ondas rodando bem rápidas. Diversão garantida nas águas geladas do Uruguai, foi aqui que surfamos com Long Jonh em pleno janeiro. No período da tarde mais uma queda nesse mesmo pico, agora com um sol de rachar o cabeça, mas é claro com a água ainda gelada, foi um belo dia de surf nas merrecas Uruguaias. La Aguada é a praia mais popular da região, muita gente na praia, na água também, mas o crowd é muito tranqüilo. Neste dia checamos vários outros picos, Balconada, Anaconda, La Derecha Del Faro e outro que não recordo. A melhor opção mesmo eram as ondinhas de La Aguada.
Na segunda-feira fomos buscar uma ondas fora da cidade, passamos então procurando as ondas em picos desertos seguindo a rota 10, uma estrada de chão enlameada, mas que dava para desenvolver uma boa velocidade. Passamos por Los Caracoles, José Ignácio e outros pequenos balneários, não havia swell na região, a coisa começou a ficar crítica, a fissura estava explodindo, mas vamos lá, buscar e explorar para nós o inédito litoral. Chegando mais próximo de Punta Del Leste, os preços começam a subir, os carros ficam mais bonitos, as estradas ficam melhores e a nossa expectativa aumenta. Na cidade de La Barra, fica um dos melhores picos de surf do Uruguai, como o próprio nome da cidade diz, o pico fica exatamente na saída de um rio, para nossa decepção, não estava quebrando, como todos os outros picos da região.
Chegando em Punta Del Leste, ficamos impressionados com a arquitetura e riqueza da cidade, Iates de Luxo, mansões, cassinos, carros suntuosos, riqueza para todo o lado. Demos uma volta na cidade e resolvemos nos informar em uma Escuela de Surf sobre as opções que teríamos naquela situação. “Miramos algunas olas, pero que no eran muy buenas, eran muy pequeñas e habia mucho viento!!!” Voltamos para La Barra para almoçar e iríamos fazer um força barra, realmente força Barra. Após umas empanadas de almoço, fomos dar um check e as condições que tinham eram ainda piores. Reunião: voltar para Paloma e pegar um fim de tarde em La Aguada.
O vento sul apertou anunciando a entrada de um swell, fomos conferir as previsões. A direção e intensidade tanto do swell como dos ventos indicavam boas ondas no sul de Santa Catarina. Paramos para refletir e analisar a situação. Resolvemos dormir mais uma noite em Paloma e dar o check bem cedo, caso a condição não fosse favorável regressaríamos ao Brasil.
Acordei cedo, fui em La Aguada, Balconada e Anaconda. O mar aumentou o tamanho, porém, o vento sul continuava soprando com bastante intensidade. Nos despedimos de alguns amigos no albergue e resolvemos pegar estrada. Foi um dia puxado, o objetivo era chegar em Torres, ou seja, atravessar metade do Uruguai e todo o estado do Rio Grande do Sul. Durante a viagem, fizemos um pit stop no Balneário do Hermenegildo em Santa Vitória do Palmar, mar ressacado com bom tamanho, forte correnteza e vento sul bombando. Depois de viajar o dia inteiro chegamos em Torres no começo da noite, direto para o hotel, a estrada foi cansativa, rodamos 900 km. Em torres muita chuva e vento, expectativa em alta para o dia seguinte.
As ondas estavam com cerca de 2,0 metros nas séries o que tornava impossível atravessar a arrebentação nas praias de Torres, conferimos a Praia da Cal, a Prainha e os Molhes do Rio Mampituba. Mais uma vez sem condições de surf. Valeu pelo visual de ver a esquerda da Ilha dos Lobos quebrando grande sobre um fundo raso de pedras. Mar em fúria.
Novamente para a estrada em direção ao norte, depois de 180 km entramos em Itapirubá, pela característica da praia seria uma boa opção de surf na região. Não deu outra, na Praia Norte de Itapira haviam boas ondas em condições de mar clássico, 1,0 metrão com maiores, lisinho, pouco crowd e ondas tubulares. O frio estava presente, surf de neoprene longo. O vento sul era terral e o visual de filme. Surf intenso durante horas, tiramos o atraso. Ficamos numa pousada simples em frente ao pico, com um valor simbólico de R$ 10,00 a noite, arregado. No dia seguinte, o mar baixou bastante, porém, rolavam boas ondas ainda com mais de 0,5 metro com excelente formação. A temperatura agora já era mais agradável, o sol apareceu novamente. Surfamos pela manhã e após o almoço pegamos a estrada para outro pico que teria boas condições e que para nós seria inédito como foi Itapirubá, o pico da vez agora seria Governador Celso Ramos, Praia das Palmas.
Chegamos já era fim de tarde, e começou tudo de novo, a busca pela pousada perfeita, boa e barata. Não tivemos nenhum sucesso, as ondas também não eram das melhores e tocamos no início da noite para Mariscal, já no litoral norte catarinense.
Pessoalmente gosto muito de Mariscal, sempre peguei boas ondas lá e já surfei mares clássicos várias vezes. Em questões de pousadas, também não tivemos tanta sorte assim, mas conseguimos uma que se adequeva as nossas necessidades com um valor honesto. No dia seguinte, 0,5 metrão rápido com bastante pressão, um mar muito bom! Com direito inclusive de estourar a cordinha. Surfamos muito, durante horas. O plano era surfar, almoçar e retornar para o litoral do Paraná para pegar o final do swell. Chegando em Guaratuba, o vento nordeste estragava sensivelmente as merrecas da Praia Central, o jeito era ir para casa descansar dos vários dias seguidos de surf trip e arrumar as coisas. Como é bom estar em casa, o melhor sempre de uma viagem é o retorno para sua casa e para sua família.
No sábado, dia 21 de janeiro fui não tão cedo e não tão animado para o meu pico preferido, os Paraguaios. Chegando lá, não acreditei, marzinho irado, 0,5 metro com boa formação, com sol e só amigos na água! Depois de altas ondas, muita diversão, e quase 4 hs dentro da água, saí exausto e é claro que estava presente o bode da tarde. Esse foi um final mais do que feliz de uma surf trip irada. Amigos, ondas, natureza, experiências diferentes, alguns quilômetros rodados, só não vai quem não quer!!! Aproveite sua vida, viaje!!!!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

ENSINAMENTOS DO SURF


O esporte dos reis! Esporte nobre e que quase desapareceu no final do século XIX. Cultura e religião das Ilhas Havainas e da região da Polinésia.Os antigos realizavam rituais e aprendiam muito com a natureza e com o surf.
Atualmente o surf ainda ensina muito, mas nem todos os seus praticantes tem a sensibilidade apurada para isto. As pessoas que surfam realmente de corpo e alma aprendem muitas coisas com a prática do esporte, diariamente, mesmo morando um pouco longe da praia pode-se aprender e muito com o surf. Esse aprendizado, pode ser sobre a vida, através de experiências no meio aquático. Humildade, percepção, espírito de amizade e ajuda mútua, tranqüilidade, paciência, respeito, busca interna de algo mais que de sentido a existência humana, princípios, viver a vida intensamente, dar importância para o que realmente tem valor, presença da paz, tudo isso e muito mais pode ser retirado desse estilo de vida que envolve o surf e seus praticantes.
Além desses fatores, existem ainda muitos outros, são ensinamentos reais como: aulas de geografia quando se depara com um mapa para localizar ondas perfeitas, aulas de física quando estuda-se as ondulações ansiosamente, aulas de metereologia quando se discute sobre chuva e sol para fazer aquelas fotos de revista, aulas de matemática quando se calcula o tamanho que a ondulação vai chegar a costa, aulas de biologia quando se depara com tainhas, botos, raias e até mesmo tubarões, aulas de socorros para atender aquele brother que tomou uma pranchada, aulas de astronomia quando numa noite de céu limpo observa-se as estrelas ao lado de uma fogueira com os amigos, aulas de química quando coloca o catalisador para acelerar o conserto da prancha para que possa ir correndo dar um queda, aula de direção defensiva para desviar dos loucos pelas estradas que levam as ondas, aulas de geologia para estudar aquelas pedras do fundo daquela direita perfeita da América Central, aulas de computação para saber os melhores sites para checar a previsão das ondas, aulas de oceanografia quando se observa e prevê a maré para pegar as melhores ondas, aulas de economia quando precisa fazer milagre com a grana do mês, aulas de nutrição quando prepara o macarrão nosso de cada dia, aulas de educação física quando a remadeira está nervosa, aulas de engenharia quando encomenda um foguete novo, aulas de inglês quando quer ir desvendar novas ondas, aulas de espanhol quando quer tirar umas férias, aulas de comércio quando faz o rolo com pranchas e neoprenes usados, aulas sobre geografia rodoviária quando se estuda qual a melhor estrada à pegar num país desconhecido, aulas de cultura e cidadania quando se depara com povos parados no tempo com um jeito inocente, aulas de religião quando medita boiando no outside, aulas sobre o movimento centrífugo quando toma uma vaca, aulas, aulas,aulas...
Tudo isto só é possível aprender se o surfista tem percepção e ama o que faz. Essas aulas não são dadas em faculdades ou colégios, são ministradas diariamente, a cada momento da vida de um surfista, a cada remada em direção ao outside, a cada passada de parafina, a cada reunião com os amigos, a cada vaca, a cada nova onda surfada, a cada procura e ansiedade atrás de um bom pico para a sessão de surf, a cada por do sol dentro da água com o céu cor de rosa, a cada nascer da lua no fim de tarde mágico, enfim em cada momento vivido intensamente pelos surfistas de alma. Pessoas que sempre buscam ondas em cantos remotos do planeta, que buscam sonhos, que buscam viver intensamente, que amam a vida e surf.
Os aprendizados citados acima são só um pouquinho do mundo do surf, quem tem a honra de estar inserido nesse mundo sabe bem disso. Viva o surf!!

sábado, 2 de janeiro de 2010

SURF TRIP LITORAL SUL - Parte I




Havia pensado nessa viagem há muito tempo, mas a comodidade faz com que sempre procuremos ondas nos mesmos lugares. O projeto de fazer uma trip exploratória pelo litoral sul brasileiro e território Uruguaio foi tomando corpo nas rodas de conversa. Muitos não aceitaram a idéia, com a desculpa de que não queriam passar frio e nem surfar em água gelada. Levando em consideração esse fato, planejamos a viagem para o mês de janeiro, não visando a melhor época de ondas, mas sim a melhor temperatura para se fazer uma trip exploratória. Objetivo da viagem: catalogar informações precisas quanto as picos de surf do extremo sul do Brasil, desvendar o mistério das ondas Uruguaias e surfar em locais inóspitos. A viagem foi feita em um veículo 4x2, o que de certa forma restringe um pouco a chegada em picos alternativos.
Estávamos prontos, eu e um amigo, Rogério Chimionato, empresário Curitibano. Os outros? Ficaram surfando as marolas crowndeadas do litoral paranaense. Dia 09 de janeiro foi o dia escolhido para a saída de Curitiba, na bagagem neoprenes de todos os tipos, duas longboards, duas pranchinhas, moletons, capas de chuva e muita disposição para enfrentar aproximadamente 4.000 km pelas estradas do sul.
A primeira parada foi em Torres, primeiro balneário do litoral gaúcho indo no sentido sul, uma cidade bonita, com muitos atrativos naturais, altos visuais e boas ondas. A chegada foi em um calor insuportável, procuramos hospedagem, foi fácil de achar, há muita oferta. Conseguimos um hotel bom com preço honesto. Após descarregar tudo e bater um rango, fomos dar uma conferida nos picos. Era fim de tarde quando chegamos ao Parque Estadual da Guarita, onde se localiza a praia de mesmo nome. Por um momento fiquei de cara, quando tiro minha principal prancha da capa, ela tinha regredido, virou uma uva passa devido ao calor. Frustrante! Mesmo assim, fizemos um surf, mar de nordeste com 0,5 metro crespo, não foi um dos melhores da vida, mas era melhor do que nada.
No dia seguinte, dia 10, terça-feira, fizemos um surf nos molhes ao lado do Rio Mampituba, rio que divide os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. As ondas vinham um pouco balançadas, mas tinham bom tamanho, cerca de 0,5 metrão. Quebravam bem no outside abrindo as paredes durante um bom tempo. Pouco crowd e um sol escaldante marcaram a session. Uma boa manhã de surf. No período da tarde, pegamos a estrada em direção a uma fazenda à 100 km ao sul de Porto Alegre, onde iríamos conhecer uma plantação de arroz orgânico. No caminho entramos no Balneário Atlântida sul para um check nas ondas. Decepção, marolas mexidas, continuamos na estrada. Uma chuva muito intensa fez com que desistíssemos da visita e continuasse a trip. O ponto de parada foi no famoso Balneário do Cassino. Já no litoral sul gaúcho.
Após ter viajado mais de 500 km enfrentado um trânsito pesado, asfalto ruim, pedágios e outros imprevistos, finalmente chegamos ao Cassino. A cidade estava agitada, muitos turistas e preços altos foram o que chamou mais atenção. Depois de cerca de 2 hs procurando uma pousada simples e barata para apenas uma noite, achamos um hotel velho por R$ 30,00 a noite por pessoa, foi o melhor que conseguimos, e foi melhor do que cair num papo de um cara sinistro que insistiu em nos hospedar em uma casa podre.
O Balneário do Cassino é ao mesmo tempo interessante e ao mesmo tempo um lugar sem nada pra fazer, a praia é aberta e tem cerca de 250 km de areia até o arroio Chuí. Por ser aberta, dificilmente tem condições de surf, pois é suscetível a ventos e a fortes correntezas. Checamos pela manhã as condições, o vento encrespava as merrecas que chegavam fracas à praia. O jeito foi conhecer um navio naufragado na praia e andar de vagoneta, um carrinho movido à vento que anda em cima de trilhos num grande molhe.
Como não havia perspectiva de melhoria nas condições do mar, resolvemos mais uma vez seguir estrada. Agora com o objetivo de entrar no Uruguai neste mesmo dia.
Tivemos uma tarde agradável na estrada, uma reta de mais de 200 km que corta a reserva ecológica do Taim nos leva ao fim do Brasil, chegando no Chuí, como de costume fomos checar as ondas e conferir as condições. Já soubemos de relatos de boas ondas na fronteira Brasil-Uruguai. Não havia swell, tiramos umas fotos, pois é um lugar histórico e com uma beleza exótica. A cidade do Chuí, é como qualquer cidade de fronteira, feia e sem dono, com a malandragem correndo solta. Fizemos o câmbio e vazamos em direção à alfândega.
Apresentamos os documentos, registramos nossa entrada no país e voltamos para a estrada. As estradas uruguaias são muito boas, bem sinalizadas, sem radar e sem pedágio, sonho? Não realidade de um país pobre e vizinho do Brasil. Em 20 km dentro do solo Uruguaio já temos o primeiro pico de surf, La Coronilla, praia extensa, com dunas e sem proteção de vento. Neste pico tinha uma queda força-barra, porém resolvemos checar outros picos próximos.
Seguindo algumas dicas de um site internacional de surf, o próximo pico era dentro de um Parque Nacional controlado pelo Exército, o Parque Nacional Santa Tereza. Dentro do Parque encontra-se cerca de 5 picos diferentes e o maior camping do mundo. Depois de um certo sufoco para achar um lugar para nossa barraca no meio de 5 mil pessoas, conseguimos um bom lugar com excelentes vizinhos, brasileiros e uruguaios. As ondas não estavam boas e a noite chegava, resolvemos organizar nossas coisas e descansar.
Já no quarto dia de viagem, acordamos cedo ansiosos pelas ondas. Demos uma queda em um pico chamado Las Achiras, 0,5 metro , um pouco de vento que não atrapalhava na formação das ondas, apenas uns 3 surfistas na água. Fiz a cabeça, peguei muitas ondas, os surfistas uruguaios são ruins, não se posicionam de maneira adequada e fazem manobras desajeitadas. Foi um bom surf, a água não era tão gelada com pensávamos, surfei com um short free e lycra, o sol ajudava a manter o calor do corpo. No período da tarde a condição piorou sensivelmente com a entrada de um forte vento leste.
Dia 13, quinta-feira, fizemos um surf em outra praia, La Moza. 0,5 metro mexido, com um vento gelado, alguns poucos se aventuravam na água. Sempre vale dar uma queda. Esse pico tem um forte potencial quando um forte swell de sul ou sudoeste encosta, geralmente acontece isso nos meses de inverno. O pico tem uma semelhança com o Pico de Matinhos no Paraná.
No próximo dia, acordamos cedo e conferimos as condições.La Moza, mexida, Las Achiras e Cerro Chato ondas pequenas, não eram boas opções. Olhamos uma praia perto, Punta Del Diablo, também não estavam lá!! Resolvemos seguir adiante e explorar outra região, seguíamos agora sentido oeste na costa do Uruguai. Por enquanto não tivemos sorte de pegar um bom swell, mas coletamos várias informações importantes para uma próxima trip.
Desbravar lugares, rumar ao desconhecido, surfar ondas diferentes, fazer contato com pessoas com outra realidade em relação ao mundo, trocar experiências, acordar sem saber onde vai dormir, comer algumas coisas que você não gosta muito. Isto tudo trás conhecimento, bagagem, desenvolvimento pessoal e muito mais. Tudo isso devemos ao surf!!