terça-feira, 15 de dezembro de 2009

PRESENTE GARANTIDO




Esse texto é muito antigo...porém será uma lembrança para os amigos que estavam presentes! Aproveitem!




Partindo do princípio que aniversário de um grande amigo agente nunca pode faltar, fomos fazer uma social em Floripa. Estavam presentes na barca, eu, o Fabrício e o Juninho. O aniversariante era o Tiago, meu afilhado no surf, que na época era morador da bela ilha. Logo chegariam também a Ana e o René.
O apartamento do Tiago estava um verdadeiro crowd, pois chegamos com toda a educação, porém, invadindo o local. Fomos, como sempre, muito bem tratados por toda a família. Amigos reunidos, família presente, Tiagão feliz da vida.
Na noite de sexta-feira, era grande a ansiedade com relação às ondas. Checando as previsões, os mapas e gráficos apontavam boas condições. Expectativa presente em todos. O sábado começou cedo, olhamos qual era a direção do vento e consideramos que a melhor opção seria Praia do Santinho no litoral norte da ilha.
Chegando na praia, o sol ficando cada vez mais forte, o céu inteiramente azul. Estacionamos os carros, subimos as dunas e observamos atentamente as condições do mar naquela manhã de março. Ninguém na água, séries perfeitas rodavam no meio da praia, água totalmente transparente, pra completar surf só de bermuda, a temperatura da água estava ideal.
Todos trocaram de roupa num ritmo acelerado, gritos de adrenalina surgem, a felicidade aparente no rosto de cada um, e o presente dado para o Tiago por Netuno sendo aproveitado pelos seus irmãos de surf. Entramos na água, séries com um metro perfeito, sem nenhuma gota de água fora do lugar, vêem em nossa direção, a arrebentação estava relativamente fácil, pois as séries demoravam um pouco, fazendo com que todos tivessem facilidade, o Juninho sem cordinha, eu de longboard, o Fabrício ainda iniciando.Apesar desses fatos todos se deram bem.
Uma onda atrás da outra, sendo todas surfadas por um de nós, pois o crowd começava à chegar no canto norte, surf intenso durante quase 5 hs sem parar. Só paramos, pois a fome apertou, os braços já não tinham mais forças, mas as baterias carregadas com um cansaço que só o surf proporciona, um cansaço com leveza de espírito, sensação de dever cumprido, um astral de ligação total com a natureza. Foram muitas as ondas percorridas. Ondas lindas, com todo o oceano, um verdadeiro play ground natural, tem a oferecer.
No fim de tarde, mais uma session, desta vez no canto norte. Ondas passando de um metro, fortes, rápidas e tubulares, um mar pesado. Novamente, diversão garantida. O surf durou até à noite, fazendo a travessia das dunas já com a luz do luar.
Foi um grande dia, muito surf de qualidade, a presença de velhos e bons amigos, a comemoração de mais um ano de vida de um dos integrantes da família surf. Esperamos que sejam assim todos os aniversários dos surfistas de alma!
Cabeça feita, corpo cansado.

sábado, 28 de novembro de 2009

PANAMÁ-segunda parte




Muitas curvas e boas estradas marcaram a viagem para o nordeste do país. Uma província com nome um tanto estranho, Bocas Del Toro, o que significa as saídas de um grande rio com o nome Toro. A capital dessa despovoada parte do Panamá está localizada em um arquipélago exatamente nas bocas do Rio Toro. Uma cidade bem pequena, que possui uma estrutura precária e não conta nem com posto de gasolina. Para chegar são aproximadamente 2 horas em um ferry boat, o qual passa por locais muito bonitos, com água cristalina, pois estamos no Caribe Panamenho.
Logo na chegada encontramos com alguns brasileiros já conhecidos, que nos informaram que tinha altas ondas, ao contrário da semana anterior que estava totalmente flat nas diversas ilhas da região.Noite cheia de ansiedade!
Acordamos muito cedo, ainda noite, descolamos um táxi(nosso carro estava no continente), e fomos para um pico não tão perto, era Bluff’s. Uma praia de areias amarelas, com muitos coqueiros e deserta. Ondas? “Apenas” 5 pés tubular, quebrando bem no inside, uma onda perfeita para bodyboarders. Estávamos em uns 10 brasileiros na água, o crowd era de amigos, o mar perfeito, rápido e raso, uma onda difícil de ser surfada de longboard, como era meu caso, mas deu para pegar boas antes de partir ao meio minha principal prancha.
Punch, um bom reef breack foi o surf nosso de cada dia, esse pico sempre apresentava a melhor condição. Um surf básico, escolinha, 2-3pés de água cristalina vendo os afiados corais passando por debaixo das pranchas, uma onda era sempre igual a outra, errou?era só tentar de novo!Outra opção muito boa, era outro reef, um pouco mais adiante chamado Domper’s, um paraíso embora a onda quebrasse enfrente ao lixão da ilha, algo de dar vergonha para a raça humana, sinistro.Domper’s é uma onda rápida, para surfistas experientes, quebra ao lado de um rochedo pequeno e no meio da curta parede aparece uma grande cabeça de coral, o que faz com que você seja obrigado a sair da onda. Os dias vão passando, muito surf,surf de qualidade. Comida ruim, coluna reclamando do colchão, mas tudo vale o prazer do surf.
Outro swell previsto, todos afoitos.Uma certa manhã,muito cedo ainda, tudo treme, era um terremoto, sensação muito estranha, porém a certeza que viriam ondulações. Muito vento, tempo chuvoso, o mar subiu. Pegamos um barco para uma outra ilha checar uma famosa onda, Carenero, foi sem dúvida o maior e melhor mar da trip.Point breack, crowd forte e ondas de sonho com até 6 pés na série. O swell era consistente, durou vários dias, todos os dias íamos até essa esquerda que quebra pra dentro de uma baía, o que faz com que ela abra inteira mesmo sendo rápida e tubular. Cenas de filme.
A grana começa a ficar curta, afinal já são quase 20 dias de surf intenso, os ombros sentem, algumas dores se instalam pelo corpo, saudades de uma boa comida, da família e dos amigos. Pegamos o carro e partimos rumo à capital, para pegarmos o nosso vôo ao querido Brasil. Durante as 7 hs de viagem, muitos sorrisos, a felicidade por ter feito uma excelente viagem, com direito à muito sol, ondas perfeitas e novos amigo espalhados pelo mundo. Tendo sempre na mente a vontade de voltar e de fazer outras surf trips de gala. O surf é a vida e a vida é o surf. Deja viver!!!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

PANAMÁ - primeira parte





Conforme alguns planos com os amigos, iríamos fazer mais uma trip gringa, pra onde? Ficamos na dúvida entre Equador e Panamá, mas a dúvida durou pouco quando comparamos algumas informações sobre os dois países, no Panamá, janeiro seria a época ideal para surfar os picos do Caribe! Tudo certo então, Panamá seria o destino!Pra mim, uma grande satisfação estar novamente na América Central com los hermanos.
Desembarque tumultuado no Aeroporto Internacional do Panamá, um agito, quase perdemos uma das malas. Pegamos um táxi para um hotel para então no dia seguinte pegar um vôo doméstico para Bocas Del Toro, fomos checar a possibilidade logo cedo, surpresa, tinham apenas dois lugares e ainda por cima não cabiam minhas longboards, pois eram aeronaves de pequeno porte.O jeito? Alugar um carro e partir explorando o vasto litoral!
Após umas cinco horas pelo louco trânsito do país, chegamos à uma praia alucinante banhada pelo Oceano Pacífico, que para infelicidade se encontrava mais que pacífico, estava com 1 ou 2 pés, eram ondinhas muito lisas e muito bem formadas, excelentes para manobras clássicas, 9’6” na água, primeira queda depois de longas horas de viagem, um alívio.O visual de Playa Venao era simplesmente lindo.
Noite de estrelas, com temperatura amena, silêncio absoluto, um dos melhores “sonos” da vida. Acordamos muito cedo, checamos a condição, uma negação, as ondinhas haviam sumido, sumimos também. Próxima parada seria “la ola mays famosa da Central América”, Santa Catalina!
Várias horas pelas estradas precárias do belo e pobre país, e chegamos à um pequeno vilarejo, este, apresentava realmente o mínimo de estrutura para turistas. Mas como a pressa para “mirar la ola” era grande, logo descolamos uma pousadinha, de frente para o pico. Mesmo não sendo a melhor época de ondulações para esta região, algo nos dizia que seriam dias especiais. Já instalados, fomos dar a queda com um surfista local que conhecemos na pousada, o cara deu todas as dicas e caímos juntos, as ondas apresentavam cerca de 3 pés nas séries, uma qualidade impressionante, uma direita realmente de sonho, com um pôr-do-sol indescritível. A onda quebra a cerca de 300 metros da costa, o que faz com que você tenha que caminhar um pouco em pedras vulcânicas, machuca um pouco o pé, é bom calçar uma botinha de neoprene com uma boa sola, após essa breve caminhada pelas pedras é hora de remar, a remada é tranqüila, através de um canal chega-se ao out side com facilidade.
À noite uma pizzaria de um Italiano é a melhor pedida, vídeos de surf, revistas especializadas, toda a galera contando as histórias do dia, mesa de pebolim e uma das melhores pizzas que já comi. A condição das ondulações piorou no decorrer dos 4 dias que permanecemos nesse “pueblo”, como já havíamos visto, estava para entrar um bom swell no Atlântico, os boatos rolavam soltos e decidimos partir. A viagem seria de aproximadamente 8 horas pelas “carreteras muy malo”.
Estávamos muito animados, pois só ouvimos falar bem dos picos do caribe, vimos algumas fotos que pareciam Pipeline, claro guardada as devidas proporções.Enfim a expectativa era muito boa! A viagem de carro foi muito interessante, pois saímos do Pacífico subimos uma grande cadeia de montanhas com um visual fantástico, floresta densa, com certeza primária, praticamente inexplorada, muito preservada. Indicava que estávamos no caminho certa de muitas belezas naturais e é claro de muitas ondas!!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

SURF NO ASFALTO




Esse é mais um texto das antigas, o ano de 2006 foi um ano de Carveboard!




Um surfista fissurado viver numa cidade sem praia, é um sério problema, olhar as fotos dos picos preferidos todos os dias, sonhar com a sensação de surfar, ficar monitorando todos e qualquer swell e estar a mais de 100km da praia mais próxima. Vida dura. O jeito é matar a fissura com o Carveboard, e fazer o surf no asfalto.
O Carveboard é uma espécie de skate com pneus de borracha, molas, e um shape maior do que o convencional. Descer ladeiras longas com bom asfalto faz com que a sensação e a emoção sejam muito semelhantes com a do surf.
Devido a um compromisso no sábado à tarde, eu não poderia ir para a praia durante o final de semana inteiro, resolvi então esquematizar um final de semana alternativo, surf no asfalto no sábado de manhã e surf na água no domingo de manhã nas merrecas do litoral paranaense.
Sábado o dia amanheceu meio cinzento em São José dos Pinhais-PR, cidade sem praia, mas com boas ladeiras de asfalto novo. Na noite anterior já havia combinado com o Wagner, um amigo fissurado por todas as modalidades de skate e de esportes com prancha, para descobrirmos alguma ladeira nova na cidade. Fomos em direção a um bairro nas proximidades da BR-277, havia lá uma bela descida de asfalto recém inaugurado, que é caminho para o novo presídio da cidade. A rua ainda sem movimento de veículos, localiza-se ao meio de bosques de eucaliptos, sendo assim, um convite à diversão.
Estávamos com equipamentos de filmagem e fotografia para registrar os momentos. Como o dia estava nublado não tínhamos luz suficiente para produzirmos boas fotos, porém uma ou outra foto sempre fica boa... começamos então as descidas. No melhor estilo surf possível, fizemos boas manobras, íamos até o final da ladeira aproveitando ao máximo os cut backs, rasgadas e é lógico a adrenalina.
Descemos por mais de uma hora, uma descida atrás da outra, várias fotos, várias vídeos, as pernas já começam a ficar cansadas, mas continuamos, até começar a dar uns pingos de chuva. O céu estava cinzento, sinistro, começou a ventar mais forte, opa, final da session. Nos abrigamos no carro e começou a chover muito forte, chuva com vento. A diversão havia acabado. Caberia a nós neste momento aguardar o sábado passar e tentar fazer um surf real no domingo.
No caminho de volta para casa após a session, passamos por outros possíveis picos de Carveboard na cidade, olhamos, analisamos, e a chuva forte impedia que experimentássemos aquelas outras descidas. Agora era torcer para o dia seguinte ter umas ondas...ou marcar o próximo role de Carveboard, o surf no asfalto!!

ALOHA!!

domingo, 25 de outubro de 2009

Se divirtam, boa leitura!



SURF TRIP CONGELANTE


Acompanhando as direções e intensidades do swell durante uma fria e sinzenta semana de julho, decidi que valia um trip para o sul. Acionei o Fabrício, que na mesma hora topou. Saímos de Curitiba na madrugada de sexta-feira, debaixo de muita chuva, com os termômetros marcando dois graus. Eu me sentia como um louco, 4 hs da manhã, muito frio, prancha em cima do carro, indo buscar o brother.
Amanhecendo estávamos em Floripa, pegando mais um integrante da barca, o grande amigo Tiago, o qual tinha recentemente se mudado para a Ilha de Santa Catarina. Mais uma hora de estrada chegamos ao pico, chuva fina, um metrão na série e poucos corajosos na água. Decidimos de imediato dar uma caída, fizemos um bom surf, batemos um rango e caímos de bode, à tarde mais um queda com um forte vento sul que deixava o mar repicado.
Á noite o frio trincava, céu limpo, estrelado, e na nossa roda de conversa tínhamos a esperança de que estaria perfeito no dia seguinte. Acordamos cedo, céu azul, gramado branco coberto pelo gelo, fomos dar uma conferida. O vento havia parado, o swell mais de leste, séries com até um metro e meio quebrando vazias e perfeitas. Apesar do sol o frio era intenso, long John, botinhas e luvas para agüentar, fizemos a cabeça!Era lindo, um leve terral penteava as séries geladas que entravam na baía.
No dia seguinte igual ou ainda melhor, apenas o crowd havia aumentado, o frio continuava intenso, juntou-se a nós o René, da revista Maneco, mais um para sair roxo da água. Á tarde o crowd sumiu nos deixando totalmente à vontade, só nós, os quatro amigos. Pegávamos as melhores ondas e surfávamos até o inside, todos se deram muito bem, cabeça feita alma lavada. Eu e o Fabrício retornaríamos à noite para Curitiba, ao anoitecer saímos da água com os pés e mãos dormentes e roxos, banho quente, pé na estrada ao som de um reggae contagiante, sorriso no rosto e a sensação de missão cumprida, e a certeza de que vários outros swells como este estão por vir. René e Tiago pegaram mais um dia, o mar baixou visivelmente e o frio também havia diminuído. A partir
Desta trip, este pico tem para todos nós participantes, um forte significado e uma magia extraordinária!
Aloha!

domingo, 18 de outubro de 2009


COSTA RICA PURA VIDA


Sonho antigo, há muito tempo gostaria de conhecer esse pequeno país da América Central, localizado entre o Panamá e a Nicarágua. Um país pobre, que oferece pouca infra-estrutura para seu povo e para os turistas, porém com muitas riquezas naturais como vulcões, cachoeiras, rios, florestas e é claro muitas ondas de qualidade.
Mesmo com o dólar explodindo, resolvi embarcar com mais dois amigos. É imprescindível alugar um bom veículo 4x4 na chegada ao país, pois as estradas são na maioria sem asfalto armando verdadeiras ciladas com os enormes buracos e atoleiros, uma verdadeira aventura off-road entre uma onda e outra.
A primeira parada foi numa das principais cidades do litoral do Oceano Pacífico, Jacó, essa cidade oferece boas acomodações e refeições se comparado ao resto do país, a onda é uma escolinha, vem do outside com formação gorda abrindo para os dois lados, perfeito para o longboard, porém dificilmente quebra com tamanho.Outra onda que surfamos na região foi a Playa Hermosa, praia extensa como vários picos, areia escura, onda rápida e tubular, muito boa, recebe grandes ondulações por ser praia aberta. Mais ao sul está Bejuco, linda praia com coqueiros em toda a sua extensa orla, areia negra, formando uma bela paisagem tropical, onda forte com pressão, fundo de areia compacta.
De Jacó seguimos para o norte em direção a Mal País, um pequeno vilarejo onde surfamos a Playa da Carmen, nada mais do que 4 pés abrindo tudo, só com os amigos na água, perfeito!Mais alguns quilômetros de buracos e chegamos a Tamarindo, onde estava flat, então fomos para Playa Grande, ondas excelentes com água clara, fundo de areia, logo seguimos para a famosa Playa Negra onde pegamos 3 pés na série com água transparente, surfava vendo o fundo rochoso com a luz de um pôr-do-sol maravilhoso.
Roca Bruja, foi a próxima parada e que dispensa comentários, essa onda fica dentro do Parque Nacional Santa Rosa, em um local de dificílimo acesso por terra. A onda é extraordinária, o visual é fantástico, a praia é deserta, uma combinação que deixa qualquer mortal admirado.Decidimos tocar em direção ao sul, para a famosa esquerda de Pavones, foram 13 horas de viagem, mas que foram inteiramente recompensáveis por um bom swell com uns 4-5 pés sólidos e perfeitos, essa onda tem várias sessões possibilitando muitas manobras, inclusive com uma sessão tubular, o fundo é igual a praia com muitas pedras arredondadas, escutamos relatos de locais dizendo que nos melhores dias as ondas chegam a ter 400 metros de extensão, o que não é difícil de acreditar pois pegamos 200 metros com um swell que não é considerado grande. Ficamos vários dias surfando essa esquerda show, o surf era intenso, o astral muito bom, o crowd era pequeno, e na sua maioria estavam americanos. Quando ficou flat fomos para Dominical, altas ondas, ondas pesadas, com correnteza e muita chuva.
Nossa trip estava chegando ao final, voltamos para Jacó, para se despedir de alguns amigos e seguir para San José para embarcar para o Brasil, onde também temos nossos dias de ondas perfeitas, nossa comida muito saborosa, nossos amigos e nossa família.Mas fica a certeza de que voltarei para a Costa Rica!!!
PURA VIDA!!!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Mais um texto das antigas...


Surfissura


Swell de leste previsto para o litoral da PR, pouco vento e sol, condições perfeitas para um final de semana de sossego na praia que comecei a me envolver com o surf: Guaratuba.
Saída na sexta-feira à tarde, pra dar tempo de surfar antes do anoitecer. Eu, Jonas, Simoninha e Bete. Tarde de sol, temperatura agradável, ansiedade a mil por hora pra chegar e ir direto fazer um surf. Prancha nova, 9’1, vermelha e branca, super radical, uma promessa de ser uma boa prancha.
Enfim chegamos, eram umas 17hs, deu tempo de dar uma queda na Praia Central com uma mar de 0,5 metro nas séries, estava pequeno porém com boa pressão. O dia seguinte prometia ser um bom dia de surf. Dormimos cedo, descanso merecido de uma semana com bastante trabalho. No sábado acordamos cedo, e mais ou menos às 8hs já estávamos nos Paraguaios, pico que tenho muito carinho e que aprendi muitas coisas relacionadas ao surf. 0,5 metro bom, nada de mais, logo começa a ventar do quadrante nordeste, o mar fica um pouco crespo, mas não chega a atrapalhar a formação das ondas.Fizemos a cabeça junto com muitos amigos na água.
No mesmo dia, no período da tarde, mais surf, com o mar um pouco mexido, 0,5 metro rolando constante, eu e o Jonas, ambos com longs, dominamos o pico (Paraguaios). Na areia a gatinha lia um livro com toda a tranqüilidade do mundo, mais ao lado o Clévis, um amigo antigo, do tempo do surf no Morro do Cristo, mais ou menos em 1990, fotografava o surf da galera. Num determinado momento, pedi ao Jonas a long 9’0 emprestada por uma onda. Trocamos de tábuas, logo peguei uma esquerda boa, já estava com saudades daquela pranchinha, na seqüência já emendei uma direita, dei uma batida na junção, desequilibrei e levei uma pancada com a borda logo atrás da orelha, fez um pequeno corte e ficou inchado o local. Dor suportável, continuei o surf, peguei ainda várias ondas, as quais foram devidamente registradas pelo brother na areia. Várias fotos de qualidade.
Dia seguinte, domingão, mesmo ritual, acordar cedo, tomar o café da manhã, chegada nos Paraguaios,” opa, não está muito de bom.” Fomos procurar outro pico, Café Curaçao foi o local escolhido, as ondas estavam um pouco maiores, mar liso, sol e as séries entravam constantes, com boa formação e boa pressão. Entramos na água, primeira onda uma esquerda lisinha, peguei ela lá trás, arrancando urros do pequeno crowd ali localizado, alguns conhecidos outro nem tanto. A esquerda estava muito boa. Depois dessa, voltei remando em direção ao outside sorrindo, estava com tudo pra ser um excelente dia de surf. Remei forte, dropei a segunda, uma direita, um pouco menor que a primeira, mas muito bem formada, a parede foi abrindo, abrindo... fiz a onda toda e me joguei na água. No momento em que eu tirava a cabeça da água, já bem próximo da areia, minha prancha nova vem de cima com tudo e acerta com a quilha do meio bem o meio da minha cabeça. No momento levo minha mão na área lesada, e o esperado: sangue.
Saio da água rapidamente, muito enfurecido, a Simone e a Bete, vêm em minha direção, passo reto, jogo minha prancha na areia. No meu corpo inteiro, muito sangue, meu olho esquerdo não via mais nada, devido a quantidade excessiva do tal líquido vermelho. Bermuda, prancha, peito, costas, areia, tudo vermelho! A Simone me traz uma bandagem para estancar a hemorragia, sento, me acalmo, a Bete joga água em cima do ferimento, um corto-contuso com aproximadamente 6 cm de comprimento. Em seguida, consigo estancar todo o sangue, prefiri não fazer sutura, as meninas me auxiliaram com um curativo, peguei um boné de surf e aproximadamente uns 40 min. depois, voltei pra água. A fissura era maior que o corte!
Surfei muitas ondas ainda naquela manhã de sol, com um pouco de dor. Presentes na água também o Daniel e o Rob. Apesar do acidente, eu voltei ao meu estado de felicidade e tranqüilidade num ambiente muito especial que é o oceano. No período da tarde, curativo renovado, outra session, dessa vez um pouco mais devagar, pois sentia uma certa dor de cabeça e no local do ferimento.
Foi um final de semana intenso, com vários acontecimentos, muitas histórias pra contar, um grande aprendizado, muito surf e além da cabeça feita, a cabeça aberta. Surfissura, fissura na cabeça! Compreenda, no qual sentido quiser!!



segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Dando continuidade aos textos antigos...



Local Inóspito

Todos nós surfistas procuramos lugares com ondas perfeitas, lugares que ainda não foram surfados. Esses lugares exercem sobre nós uma magia, um facínio, instiga a vontade de sempre querer mais. As ondas perfeitas em lugares paradisíacos, muitas vezes não estão na polinésia, no oceano índico, ou perdidas em qualquer lugar longe ao alcance da maioria de nós. Podem estar bem mais perto do que pensamos, basta desbravarmos, sair da mesmice, deixar a comodidade de lado. E isso é para poucos.
Fui convidado por três amigos surfistas aventureiros a fazer parte de uma expedição para um desses locais, os famosos secret spots. Não seria a primeira vez em que eles iriam visitar aquele local, mas sim rever as belezas naturais, surfar as belas ondas e trocar muitas idéias com os moradores locais. Para poder fazer a barca, prometi aos participantes não liberar informações, nem fotos. Guardar tudo dentro de si mesmo, como um grande segredo, na verdade como um grande presente. Visitar um local desses é presente que só Deus e seus amigos podem lhe dar.
O local fica isolado, pode estar nas regiões sul ou sudeste do país. Saímos muito cedo da cidade em direção ao norte ou ao sul. Várias horas de carro, algum tempo de barco e pronto, chegamos na metade do caminho. Muitas horas à pé, caminhando pela Mata Atlântica, por longas praias, por costões, passando por cachoeiras, pontos históricos, passando, passando, hermitões, índios, locais que parecem o Brasil à 500 anos atrás, intocado. Não existe mundo globalizado, internet, telefone, ou qualquer outra coisa que não seja, areia, mata, pedras e poucas pessoas as quais são puras de coração e de alma.
Durante a caminhada, nós quatro refletimos muito sobre a vida, sobre o surf, sobre o modo de vida surf. Uma expedição dessas não é para amadores, o cansaço é algo muito evidente, totalmente compensado pelo astral, pela natureza que impressiona a cada passo percorrido. Mochilas carregadas, pranchas, alimentos e barracas, um duro sacrifício simplesmente com o propósito de surfar ondas praticamente virgens, conversar com pessoas especiais e muitas vezes ingênuas. Tudo tem seu preço, nesse caso, considero ainda barato.
Chegando no local, saindo de um mangue seco, somos recepcionados por crianças locais, muito prestativas e bem humoradas. A emoção de chegar num local como esses não tem como explicar, cada companheiro agiu de sua forma. Aflorando seus mais puros sentimentos, é a volta as origens. Para mim um lugar novo, adrenalina misturada com sensação de novidade, de descoberta. Para os veterenos, o prazer de estar ali novamente, rever pessoas. Ficamos todos extasiados.
Fomos diretamente até a casa de uma senhora, amiga de longa data dos meus amigos. Esta senhora, ficou muito emocionada de rever seus filhos aventureiros. Tratamento vip, logo já estávamos na humilde e singela casa, roendo uns biscoitos e tomando um café preto. Me senti realmente em casa. Fiquei impressionado com a vida que aquelas pessoas levam, vivem da pesca, sem a mínima noção do que é esse nosso mundo atual. A vida natural, sem stress, transito, carros, prédios, correria, emprego. Simplesmente vivem, profundos conhecedores da mata, do mar, tem intimidade com essas divindades. O que falar de uma pessoa sem maldades, pura, sincera, simples, hospitaleira, não tenho palavras para designar o que são e o que representam pra mim esses novos amigos, com quem não posso me comunicar pelo msn, nem por e-mail, mas sim por uma longa caminhada no meio da mata. Aprendi muitas coisas naqueles poucos dias envolvido naquele mundo puro. Diferentes valores, uma diferente forma de vida, um povo que vive pra natureza.
As condições de surf não estavam das mais favoráveis, mais o que isso importava naquele contexto? No corpo, um cansaço profundo, na mente uma paz que nunca tinha sentido em nenhum outro lugar, no coração uma felicidade muito grande, uma satisfação pessoal por estar ali. Local perfeito! Ventava muito, um vento maral, deixando o mar todo repicado com fortes correntezas, esse mesmo vento que estragava o mar trazia consigo um ar acolhedor, um ar de boas vindas.
No período da noite, todos nós nos recolhemos muito cedo, pois o dia seguinte era o foco principal. Um amanhecer de chorar, visual lindo com um presente divino, o vento havia diminuído, mas ainda era maral. Decidimos fazer uma breve caminhada e surfar em outra praia próxima. Esquerdas muito boas abriam até o inside, a correnteza fazíamos remar sem parar, mas todos pegaram altas ondas. Éramos as únicas pessoas naquela imensa praia sendo agraciadas por um belo sol e ondas vazias. A rotina do local não era outra senão a de acordar com o nascer do sol, olhar o mar enfrente a pobre casa, surfar até cansar, brincar com as crianças, comer um peixe pescado na hora e surfar de novo. No fim de tarde um arco-íris lindo pra completar a trip, enquanto surfávamos os nativos olhavam atentamente a ação daquelas pranchas “valentes”. Cai a noite e um mar de estrelas está acima das nossas cabeças naquela escuridão intensa.
Chegou o dia de partir, hora triste para os nativos que mais se apegaram com a gente. Hora triste pra nós que num passe de mágica sairíamos de um lugar esquecido no tempo para voltar a nossa rotina na cidade grande. Altas ondas fechavam o outside, mesmo assim saímos do local via mar. O tão grandioso mar que muitas vezes nos dá momentos de felicidade também deixa-nos com sentimentos como o medo, o respeito, a ansiedade.
Nunca irei esquecer dessa oportunidade que me foi dada, agradeço aos amigos que me levaram, agradeço as pessoas pelo tratamento familiar e humilde, agradeço ao mar por proporcionar momentos de grande felicidade e prazer, agradeço a mão natureza pelas belezas e lições ensinadas de forma vivencial. Agradeço a Deus por ter me dado o dom do Surf que me fez ir buscar um lugar como esse!!
Tenho a certeza de um breve retorno...

sábado, 26 de setembro de 2009

Série Histórica inicia hj...serão vários textos que escrevi à mais de 7 anos...


Lembranças de um viajante

Cada viagem tem suas lembranças, cada lembrança resgata uma viagem muitas vezes esquecida dentro de um grande universo de experiências e descobertas. Algumas outras viagens são apenas viagens mentais, ao invés de lembranças de ocorridos, lembramos apenas o que queremos fazer no futuro. Para quem viveu, surfou, amou a natureza acima de tudo, tem na bagagem boas histórias, grandes roubadas, cicatrizes e muitas outras coisas que só tem gravado na mente de quem realmente aproveitou e aproveita a vida. As linhas abaixo é uma simples tentativa de despertar a memória de velhos e bons amigos, e também de contar um pouquinho de cada aventura vivida:

-Juréia-SP: tempestade, off road, praias desertas sem crowd, briga de cação, descobertas, lugar misterioso, histórias, fotos, luar no vale, mangue, correnteza e remadeira, cabreragem,10 pés plus...
-Santinho-SC: 1,0 metro perfeito, aniversário do Tiago, dunas, descobertas, trip zen, legal, Fabrício local do pico, ondas perfeitas e eu sem prancha trabalhando no hotel...
-Floripa-SC: carro batido na beira-mar, sereias por toda à parte, mole bombando, moçamba perfeito, peregrinação atrás das ondas, Mr. Clean...
-Praia do Rosa-SC: chimarrão, muito frio, geada, jogo de xadrez ao amanhecer, bicão bombando, gaúchas, crowd intenso, dois metrões perfeitos, animal, padaria, Domingos, Maneca, pizza integral...
-Garopaba-SC: Sahaj Marg, Degani, Babalu, pizza na Grafitte, Ferrugem perfeita, Silveira clássica, Mike Tyson porrada, projetos de vida, galera marrenta, carro de boi, vento, muito vento...
-Ilha do Cardoso-SP: Antônio Neves, Praia Secreta, cataia, grandes caminhadas, forró, amigos caiçaras, artesanato, pureza, praia longa, forró, trabalho, boto, viagem de barco, mar ressaqueado, ondas gordas conectando com o inside, chuva, cachoeira...
-Cananéia-SP: chuva sem parar, monitores ambientais, bons restaurantes, traição de falsos amigos, noite, cerração intensa, cansaço, procurando barco, tubarão branco...
-Navegantes-SC: redes de pesca, menos quinze na relva, perfeição, água escura, navios passando perto do local de surf, prancha roubada, Sr. Sabiá, Catarina do restaurante, campeonato de longboard com ondas perfeitas, desinteria geral na galera, bodes intermináveis, frio intenso, asco...
-Guarda do Embaú-SC: Nando doidão, sinuca, pernada para a prainha, rosetas nervosas, dunas, época da tainha, Gudang Garam, empanado de frango, açaí, direitas perfeitas na prainha, indignação, visual no mirante, cacho de banana...
-Br –101-SC : caminho da felicidade, Plaza como primeiro point, noites de cansaço extremo, multas sinistras, velocidade, retorno para a vida convencional, congestionamentos, desvios e mais desvios, perna na estrada, barca surf...
-Farol de Sta Marta-SC: vento o dia e a noite inteira, casa fedida, água trincando, brigas, dunas, areia em tudo, estrada que acabou, corsa wagon atolado, ondas descomunais, caldos terríveis, crowd marrenta, aventura, paisagem, Tereza, Galheta...
-Interpraias-SC: caixotes intensos, vieras gigante, curvas e visuais, degradação ambiental, chegada a camboriú, parcel, fotos...
-Maresias-SP: preço alto, museu do surf, grandes pousadas, chuva e frio, mistérios desvendados, fila no sirena, ondas de boa qualidade, vontade de voltar, viagem longa pela frente, saudades...
-Mariscal-SC: Baliscal, carnaval com altas ondas com muito surf e sem balada, pousada irada, amigos, sol, flat, remada até a pedra, bate-papo com locais amistosos, coruja buraqueira, piscina gelada com a gata, cachorros amigos, páscoa com altas ondas no meio da praia, inverno com a família...
-São Chico-SC: locais chatos ,ondas pequenas, nada demais, point mais constante de Sc, demora pra chegar, na volta estamos quase em casa....
-Sinuelo-SC: bomba de chocolate, bolo de laranja com cobertura, pão de queijo, cara do caixa, muita prática, galera, sono, point de encontro curitibanos, caldo de cana, sanduba...
-Saquarema-RJ: caramba olha o tamanho dessas ondas, sem surf, água azul e areia branca, inverno, berço do surf, camping no mato, praia deserta, Bacaxá, a famosa igreja e seu cemitério, realização de um sonho antigo...
-Guarapari-ES: roubada, stress, águas transparentes, temperatura agradável, poucas ondas, ventos ruins, ouriço do mar no pé, hospital, turismo, hotel, trip de inverno, primeira trip mais forte...
-Vila Velha e Vitória-ES: locais bonitos, cidade bonita, 5 cocos por um real, sem surf só turismo...
-Coroados-PR: mar bombando, fechando todas, matando trabalho, surf suicida, céu azul, tentativa de furto de prancha, casa do Daniel, mar mexido amigo empolgado...
-Ilha do Mel-PR: casa do Miltinho, fome no Reveillon, passeio de bote uma furada, paralelas com crowd insuportável, praia de fora repleta de long todos se dando muito bem, lua cebion, caminhada, praia do Miguel, night com Djambi, semana anti-stress com surf e amigos, quase fui atropelado pelo Peterson Rosa na grande...
-Pavones-Costa Rica: sonho de consumo virou realidade, difícil acesso, ondas quilométricas ,fundo de pedras, morcego no travesseiro, filme de surf no restaurante, imperial em frente a sessão de tubos, pressa para chegar, pressa para voltar, sossego, futebol com o Ector, brincadeiras com a molecada...
-Itacaré-BA: quarto ao lado, gin do argentino, tiririca no comando da madrugada, prainha com visual de sonho, altas ondas e tartaruga na Engenhoca, farofa em Itacarezinho, Uno-rover, grandes negociações, forró mar e mel, hip hop na mansão, por do sol de filme, pés doídos, Jeribucaçú altas ondas e uma grande caminhada morro acima...
-Roca Bruja- Costa Rica: iguanas, quatis, pegadas de onça, amigo fugindo da onça, pajero 4x4, trilha de carro, off road radical, lama em tudo, carro atolado, ondas vazias num lugar distante, pedra imponente, fotos de cartão postal, fome, sono ruim, nascer impressionante da lua, surf somente com os amigos, sol rachando a cabeça...
-Bocas Del Toro - Panamá: long quebrada, terremoto, hotel de madeira, botel, comida ruim, calor, altas ondas em carenero, água transparente, caribe, lugar isolado, uma viagem de ferry-boat, lixão em dompers, stress com americano na água, muitos cariocas, hamburguesa na rua, 15 dias de rei...
-Santa Catalina- Panamá: direitas perfeitas não muito grandes, por do sol na água, coisa linda, pousada na frente da onda, poeira na cama, proprietária da pousada nem um pouco hospitaleira, cerveja Atlas quente, fotos profissionais de surf, a melhor direita da América central, pizza muito boa...
-Guaratuba-PR: aprendizado no surf, brincadeiras na areia, direitas lendárias, vários contatos, casa da família, prancha de isopor, prancha morey boogie, prancha de surf usada, longs, várias longs, amigos muitos amigos nas águas poluídas da praia central, farofada nervosa, carros com som, rua movimentada, excelentes ondas surfadas nos paraguaios, pés cortados, cabeça rachada, bermuda rasgada, leash estourado, local de descanso, mar amigo, a própria casa e berço do meu surf...
São muitas as memórias, são muitos os lugares, algumas histórias passadas para o papel e outras apenas guardadas pra sempre na mente. Essa foram apenas algumas, a cada dia, a cada momento surgem novas que fazem a diferença de uma vida bem aproveitada!



quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Iº ENCONTRO CATARINENSE DE LAND ROVERS

Aconteceu neste último final de semana, 15 e 16 de agosto na Praia de Mariscal em Bombinhas-SC o Iº Encontro Catarinense de Land Rovers. O Encontro foi uma iniciativa de proprietários dos lendários veículos e teve como objetivo principal a confraternização. Durante os dois dias do evento, as 22 Land Rovers defenders e mais de 60 pessoas curtiram o alto astral e conheceram os visuais deslumbrantes do município, utilizando estradas de chão, praias e morros. O encontro contou com o apoio de diversos amigos, landeiros, jipeiros, sites especializados, restaurantes da região, Armazém 4x4 e Grué Chocolateria.
http://picasaweb.google.com.br/maumariscal/IEncontroCatarinenseDeLandRovers#

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Visita à Serra Catarinense

A vontade de conhecer a famosa Serra Catarinense já vinha de tempos. Um lugar perto, famoso pela sua magnitude, cidades hospitaleiras e com muito frio. Em busca de tudo isso é que iríamos. Programamos a data conforme a previsão do tempo, para garantir que estaria o frio e que pudéssemos ver tudo branco, seja de neve ou de geada.
Saímos do litoral, mais precisamente da bela Praia de Mariscal no município de Bombinhas-SC, bem cedo, mesmo no litoral o ar estava gelado, o que nos deixava certos de que seriam dias clássicos na Serra. Saindo da península de Porto Belo, pegamos a BR-101 sentido sul, um pouco depois de passar pelo trânsito intenso da Grande Florianópolis, entramos na BR-282 sentido interior do estado. A BR-282, é bastante tortuosa e em vários trechos se apresenta com bastante trânsito, mas é nessa mesma estrada que começamos a visualizar a cadeia de montanhas da Serra Geral, o quanto mais nos afastávamos do litoral, ganhávamos altitude e conseqüentemente o frio aumentava.
Após rodarmos cerca de 130 km e passarmos por várias pequenas localidades, entramos à esquerda na estrada estadual, SC-430. Estrada estreita, sem acostamento, pouca sinalização, sem movimento e com lindo cenários. A estrada nos leva ao nosso destino que é a pequena cidade de Urubici, muito famosa por ter registrado as mais baixas temperaturas do Brasil. Urubici está em um vale cercado por montanhas à 915 metros do nível do mar e tem cerca de 10.500 habitantes. Uma cidade simples, com várias pousadinhas, alguns restaurantes e claro muito frio.
Nos hospedamos numa simpática pousadinha, a qual é a própria casa da dona, com um delicioso café da manhã ao lado de um antigo fogão à lenha. Após o almoço fomos em direção ao primeiro ponto que queríamos conhecer, a Serra do Corvo Branco, localizada à 30 km do centro da cidade seguindo sentido leste. Através de uma estradinha de pedra e muita poeira chega-se a um fenda cortada na rocha para a passagem da ligação do vale onde situa-se Urubici e a parte baixa da serra já em outro município, Grão-Pará. A estrada é a atração, pois as curvas são verdadeiros cotovelos e está encravada dentre as enormes rochas que formam paredões imensos, os maciços da Serra Geral. A estrada tem poucos metros de asfalto e na sua maioria é de pedras, buracos e poeira, muito estreita dá passagem à apenas um carro por vez. De um lado paredões e de outro um despenhadeiro, um lugar onde nos sentimos pequenos diante da grandeza da natureza.
Neste primeiro dia já gostamos muito do lugar, da cidade e das pessoas com quem conversamos, à noite fomos comer um pizza, na pizzaria haviam diversas fotos da região, fotos de várias nevascas, fortes geadas e pontos turísticos. A pizza estava muito boa, a temperatura ambiente era muito agradável, com as chamas da lareira no centro do salão e com o grande forno a lenha, sendo que a temperatura externa na faixa dos 2 graus. Já na pousada um bom banho quente e lençóis térmicos fizeram da noite uma bela noite de sono e de reposição de energias.
Acordamos com o termômetro marcando 0, sensação térmica provavelmente negativa, pois o ar era muito gelado. O café da manhã bem caseiro com excelente pães e doces e o bom papo do casal donos da pousada fez com que o ambiente ficasse aquecido.Nesta conversa descobrimos que o Morro da Igreja estava com acesso interditado pois a estrada havia desabado, também nos informaram que havia um acesso por trilha através das fazendas, mas que o caminho era ruim e não muito fácil de achar. Resolvemos buscar mais informações na Secretária Municipal de Turismo, fomos muito bem atendidos, o atendente nos apresentou diversas fotos e nos passou muitas informações, inclusive históricas e geográficas da região, impressionante o conhecimento e o excelente atendimento prestado.
Agora era só seguir as orientações e tentar localizar o início deste acesso restrito ao Morro da Igreja, seguimos por uma estradinha estreita com bastante barro até uma casa onde morava a D. Maria, foi ela que nos passou todas as dicas para a trilha. Lembrando que esse acesso só pode ser feito com um bom veículo 4x4, no nosso caso uma Land Rover Defender 110 nos daria com toda a certeza a segurança e a disposição para enfrentarmos os terrenos difíceis. Iniciamos a trilha, mas infelizmente pegamos uma virada errada, encontramos uma mulher e sua filha caminhando no meio de um pasto todo branco pela forte geada, e pedimos informação, ela nos orientou, aproveitamos demos uma carona, ela estava indo tirar leite das vacas naquela manhã fria do mês de julho. Já no caminho certo subimos a Serra dos Bitus, nome dado devido aos Bitus, um povo que mora em um vilarejo de cerca de 5 casas, onde vivem praticamente isoladas algumas famílias, as crianças com pele num tom de bronzeado e olhos azuis ficaram radiantes com nossa presença. Subimos, a subida nos dava um visual lindo naquela manhã ensolarada, onde o sol se erguia preguisoço e começava a derreter a densa geada nos campos da região. A subida era íngreme, escorregadia e nos levava à um caminho por dentro de fazendas, com algumas poças d’água ainda congeladas íamos cortando pastos, e capões com diversas araucárias centenárias, cachoeiras. Porteiras e mais porteiras, muitos cavalos, vacas e outros animais. Um pouco de lama, pedras pra dar um pouco mais de emoção ao caminho.
Saindo da trilha seguimos por asfalto, aliás com gelo no asfalto em pleno meio-dia, até o ponto turístico mais famoso da Serra Catarinense, o Morro da Igreja, onde localiza-se a base do Sindacta II, que faz o controle do trafego aéreo da região sul. Estávamos agora à mais de 1.800 metros do nível do mar, lá de cima a visão era magnífica, podíamos avistar muitos kms à distância pois o dia limpo nos dava essa oportunidade, lá de cima pode-se avistar outro ponto muito famoso, a Pedra Furada, pelo próprio nome não há muito o que descrever.
Voltamos para a cidade, mais cerca de 10 km de trilhas e pequenas estradas, cerca de 2 horas de deslocamento, o frio já começava a ficar intenso novamente, pois o ângulo do sol neste época do ano faz com que anoiteça muito cedo. Fizemos um breve lanche numa panificadora da cidade, matamos um tempinho, e fomos em busca de outros atrativos, pegamos a estrada, desta vez asfaltada e bem sinalizada, em direção à Cachoeira do Avencal, uma belíssima queda d’água localizada à 6 km do centro da cidade dentro de uma reserva particular. A cachoeira é linda, e o lugar muito bem cuidado, na volta paramos no mirante, onde podemos avistar a cidade inteira de Urubici, e paramos também nas inscrições rupestres, já com o sol bem baixo, a temperatura caia sensivelmente, os pés de maça ao lado da estrada davam um charme especial para a estrada.
Nossa segunda noite na cidade fomos a um restaurante muito charmoso no qual nos deliciamos com uma típica sopa de capeletti, repondo assim as energias para que no dia seguinte seguíssemos a viagem para outra cidade da Serra.
Acordamos cedo e novamente o termômetro marcava 0. Um belo café da manhã aquecidos pelo fogão à lenha fez a nossa despedida dos simpáticos e hospitaleiros donos da hospedaria. Seguimos pela tortuosa SC-430, até a fria cidade de São Joaquim, na qual conhecemos o centro e subimos até o morro das antenas para ver a cidade de cima. Resolvemos pegar a estrada novamente e desta vez a própria estrada era a atração, a SC-438, cortando a famosa Serra do Rio do Rastro. Uma breve parada no mirante, com uma visão imponente de boa parte do estado, pois o dia estava muito limpo, com o céu muito azul. Descendo a estrada, pode-se sentir o cheiro do mato, a cada curva o visual impressionava, muito bem sinalizada para evitar acidentes pois ao mesmo tempo que é bela é também muito perigosa pelas suas curvas acentuadas. Essa estrada nos levou à Lauro Muller, cidade simpática localizada na base da Serra Geral, seguimos por asfalto até Rio Fortuna passando por Braço do Norte. Pegamos então uma estrada de chão, com bastante poeira e paisagens rurais lindas e por aproximadamente 60 km pudemos observar e curtir, passamos por rios, bosques, curvas, serrinhas, subidas e descidas, horas com lama, horas com poeira, era em busca desta diversão é que estávamos. São Bonifácio era nosso destino, cidade da qual seguiríamos rumo à BR-282 cortando o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro por uma estrada de bom asfalto e de visuais muito bacanas.
Já na BR-282, uma parada breve para abastecer, a viagem estava próximo do final, paramos também em um Shopping em São José para fazer um lanche e se recuperar um pouco de tanta poeira, seguimos novamente para nossa base renovados pelo ar gelado da Serra Geral, com histórias para contar e com a certeza de que há muitos e muitos lugares especiais para visitar, nossa mini-expedição estava no fim, mas quando chegamos já estávamos programando a próxima.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

VIAGENS


Indo e vindo de tantos lugares! Essa é a vida de um surfista fissurado que mora em uma cidade que não tem praia, as viagens são uma constante, cada final de semana um lugar, algumas vezes os mesmos lugares de sempre, outras a busca por novos lugares, novas culturas, novas ondas, ondas diferentes tanto dentro quanto fora da água.O interessante é buscar, essa busca é uma busca individual, cada ser tem um ritmo, uma necessidade, é uma busca interna, a busca pela onda perfeita, a busca pelo que está dentro de você. Além de interna ela é eterna, pois sempre se quer mais, mais tamanho, mais força, mais perfeição, lugares cada vez mais inóspitos, mais sol, mais astral, mais visual, mais amor.
Esse esporte, o surf, nos faz buscar...buscar tudo. Quando iremos encontrar? Não sabemos, muitas vezes já encontramos e nem mesmo percebemos. Precisamos estar abertos a outras culturas e não apenas observá-las com um ar de indiferença, precisamos experimentá-las, participar de comunidades não convencionais, fora do tal mundo capitalista. Muitos surfistas são fechados, parecem indiferentes a tantas possibilidades que essa religião oferece. Pegar onda, não quer dizer apenas ficar em pé na prancha. O surfista precisa ter atitudes positivas, dentro e fora da água, precisa respeitar o meio, para que o meio o respeite. Outros deixam passar aquele pôr-do-sol desapercebido, momentos mágicos que é apenas olhar para o mundo com o coração e não somente com os olhos materiais.
As viagens citadas no início do texto, devem ser devidamente aproveitadas, pois somos seres abençoados e presenteados pelos Deuses a cada novo lugar que pisamos, a natureza está sempre em nossas vidas. Acredito ser o esporte que estamos mais próximos dessa força maior. Estamos envolvidos intimamente à ela. Como pais e filhos, o mar é uma família, uma escola. O aprendizado é apenas para quem está disposto, apesar de ser uma constante, os olhos, a mente, o corpo, o coração, todos os sentidos precisam estar voltados para esses ensinamentos.O que vai sendo adquirido com essa experiências, ninguém jamais pode tirar de você, está gravado em sua mente. Comprar uma prancha e sair por aí viajando, é fácil, é acessível para muitos. Mas ter atitudes grandiosas, pensamentos interessantes, valorizar pessoas e não objetos, ah sim isto é para poucos. Talvez essa seja a diferença entre o praticante de surf e um surfista de alma. Não estou julgando ninguém, cada um sabe dentro de si mesmo, onde se encaixa, é só não se enganar. Na hora do caldo, do aperto, a mãe natureza sabe distinguir os nobres dos modistas.
Gerry Lopez, Tom Curren, Otaviano Bueno, grandes surfistas que seguiram uma linha espiritual dentro do surf, exemplos a serem seguidos. Desapegados de bens materiais, apenas seres espirituais, os surfistas antes de vários outros grupos, são os que mais tem à sua disposição esse caminho. O caminho natural está aberto, é só segui-lo, bifurcações, avenidas, ruas sem saídas existem muitas. A onde almeja-se chegar? Respondendo essa pergunta fica mais fácil de traçar o objetivo, traçado os objetivos, é fácil escolher o caminho.
O surf zen está morrendo, conto nos dedos os seres que tem o surf como espiritualidade, como modo de viver e não como estilo de vida. Felizmente por pensar com esta filosofia com relação ao surf e ao mundo, tenho atraído bons amigos, amigos verdadeiros, pessoas boas, com bom nível de desenvolvimento espiritual. Isso só tem a somar com os momentos mágicos vividos intensamente dentro de um tubo cristalino, ou no nascer de uma lua amarelada num horizonte longìncuo. Ilhas, praias, pedras, ondas, água, sol, nuvens, a chuva que cai, os caiçaras, a comida ruim da América Central, as direitas e esquerdas perfeitas sem nenhuma gota fora do lugar, as roubadas, os ferimentos e muitas outras coisas que fazem parte do dia à dia de um surfista real. Isso tudo ensina, materializa sonhos ,desejos, percepções. Precisamos estar preparados para admitir tudo que o surf, as surftrips, a natureza e as pessoas humildes tem a nos completar. Não basta contenplar, fotografar, temos que estar inserido, adquirindo toda essa pureza e sensibilidade que está à disposição de nós praticantes de um esporte nobre.
Viajar não é somente amarrar a prancha em cima do carro, buscar os amigos e sair. Viajar é um estado do nosso ser interior, abra-se a isso, viajar com a mente, sonhar. Ser feliz é ter felicidade sempre, não deixar coisas materiais estragar nossa tão longa jornada para o ser Supremo. Não precisamos estar nas Mentawaii em um iate de luxo para ter a felicidade adquirir experiência, podemos estar bem acompanhados num momento de surf nas ondas pequenas e mexidas da praia mais próxima da nossa casa, se soubermos extrair as vibrações certas dessa vivência nos fará muito felizes e haverá dessa forma o desenvolvimento que buscamos.
A vida cotidiana, o stress da vida diária numa cidade, faz um efeito maléfico no cidadão comum, síndrome da pressa, stress, mal humor, ocorre um desequilíbrio geral tanto mental quanto corporal. O indivíduo perde saúde, alimenta-se mal, não pratica atividades físicas com regularidade. Tudo isso pode ser invertido, com a dedicação de corpo e alma à natureza, ao surf, à espiritualidade, ou seja, a espiritualidade do surf.
O surf zen está em tudo, nas ondas, nos amigos, na meditação, nas experiências, nas viagens da mente e do espírito. É só abrir-se a ele!!

Boas Ondas!!

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A partir de agora irei postar relatos de viagens, experiências, histórias de surf trips, fotos, aventuras e outros...

Espero muito atender a expectativa dos leitores!