quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Mais um texto das antigas...


Surfissura


Swell de leste previsto para o litoral da PR, pouco vento e sol, condições perfeitas para um final de semana de sossego na praia que comecei a me envolver com o surf: Guaratuba.
Saída na sexta-feira à tarde, pra dar tempo de surfar antes do anoitecer. Eu, Jonas, Simoninha e Bete. Tarde de sol, temperatura agradável, ansiedade a mil por hora pra chegar e ir direto fazer um surf. Prancha nova, 9’1, vermelha e branca, super radical, uma promessa de ser uma boa prancha.
Enfim chegamos, eram umas 17hs, deu tempo de dar uma queda na Praia Central com uma mar de 0,5 metro nas séries, estava pequeno porém com boa pressão. O dia seguinte prometia ser um bom dia de surf. Dormimos cedo, descanso merecido de uma semana com bastante trabalho. No sábado acordamos cedo, e mais ou menos às 8hs já estávamos nos Paraguaios, pico que tenho muito carinho e que aprendi muitas coisas relacionadas ao surf. 0,5 metro bom, nada de mais, logo começa a ventar do quadrante nordeste, o mar fica um pouco crespo, mas não chega a atrapalhar a formação das ondas.Fizemos a cabeça junto com muitos amigos na água.
No mesmo dia, no período da tarde, mais surf, com o mar um pouco mexido, 0,5 metro rolando constante, eu e o Jonas, ambos com longs, dominamos o pico (Paraguaios). Na areia a gatinha lia um livro com toda a tranqüilidade do mundo, mais ao lado o Clévis, um amigo antigo, do tempo do surf no Morro do Cristo, mais ou menos em 1990, fotografava o surf da galera. Num determinado momento, pedi ao Jonas a long 9’0 emprestada por uma onda. Trocamos de tábuas, logo peguei uma esquerda boa, já estava com saudades daquela pranchinha, na seqüência já emendei uma direita, dei uma batida na junção, desequilibrei e levei uma pancada com a borda logo atrás da orelha, fez um pequeno corte e ficou inchado o local. Dor suportável, continuei o surf, peguei ainda várias ondas, as quais foram devidamente registradas pelo brother na areia. Várias fotos de qualidade.
Dia seguinte, domingão, mesmo ritual, acordar cedo, tomar o café da manhã, chegada nos Paraguaios,” opa, não está muito de bom.” Fomos procurar outro pico, Café Curaçao foi o local escolhido, as ondas estavam um pouco maiores, mar liso, sol e as séries entravam constantes, com boa formação e boa pressão. Entramos na água, primeira onda uma esquerda lisinha, peguei ela lá trás, arrancando urros do pequeno crowd ali localizado, alguns conhecidos outro nem tanto. A esquerda estava muito boa. Depois dessa, voltei remando em direção ao outside sorrindo, estava com tudo pra ser um excelente dia de surf. Remei forte, dropei a segunda, uma direita, um pouco menor que a primeira, mas muito bem formada, a parede foi abrindo, abrindo... fiz a onda toda e me joguei na água. No momento em que eu tirava a cabeça da água, já bem próximo da areia, minha prancha nova vem de cima com tudo e acerta com a quilha do meio bem o meio da minha cabeça. No momento levo minha mão na área lesada, e o esperado: sangue.
Saio da água rapidamente, muito enfurecido, a Simone e a Bete, vêm em minha direção, passo reto, jogo minha prancha na areia. No meu corpo inteiro, muito sangue, meu olho esquerdo não via mais nada, devido a quantidade excessiva do tal líquido vermelho. Bermuda, prancha, peito, costas, areia, tudo vermelho! A Simone me traz uma bandagem para estancar a hemorragia, sento, me acalmo, a Bete joga água em cima do ferimento, um corto-contuso com aproximadamente 6 cm de comprimento. Em seguida, consigo estancar todo o sangue, prefiri não fazer sutura, as meninas me auxiliaram com um curativo, peguei um boné de surf e aproximadamente uns 40 min. depois, voltei pra água. A fissura era maior que o corte!
Surfei muitas ondas ainda naquela manhã de sol, com um pouco de dor. Presentes na água também o Daniel e o Rob. Apesar do acidente, eu voltei ao meu estado de felicidade e tranqüilidade num ambiente muito especial que é o oceano. No período da tarde, curativo renovado, outra session, dessa vez um pouco mais devagar, pois sentia uma certa dor de cabeça e no local do ferimento.
Foi um final de semana intenso, com vários acontecimentos, muitas histórias pra contar, um grande aprendizado, muito surf e além da cabeça feita, a cabeça aberta. Surfissura, fissura na cabeça! Compreenda, no qual sentido quiser!!



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