sexta-feira, 22 de julho de 2011

VISITA À SERRA CATARINENSE










A vontade de conhecer a famosa Serra Catarinense já vinha de tempos. Um lugar perto, famoso pela sua magnitude, cidades hospitaleiras e com muito frio. Em busca de tudo isso é que iríamos. Programamos a data conforme a previsão do tempo, para garantir que estaria o frio e que pudéssemos ver tudo branco, seja de neve ou de geada.

Saímos do litoral, mais precisamente da bela Praia de Mariscal no município de Bombinhas-SC, bem cedo, mesmo no litoral o ar estava gelado, o que nos deixava certos de que seriam dias clássicos na Serra. Saindo da península de Porto Belo, pegamos a BR-101 sentido sul, um pouco depois de passar pelo trânsito intenso da Grande Florianópolis, entramos na BR-282 sentido interior do estado. A BR-282, é bastante tortuosa e em vários trechos se apresenta com bastante trânsito, mas é nessa mesma estrada que começamos a visualizar a cadeia de montanhas da Serra Geral, o quanto mais nos afastávamos do litoral, ganhávamos altitude e conseqüentemente o frio aumentava.

Após rodarmos cerca de 130 km e passarmos por várias pequenas localidades, entramos à esquerda na estrada estadual, SC-430. Estrada estreita, sem acostamento, pouca sinalização, sem movimento e com lindo cenários. A estrada nos leva ao nosso destino que é a pequena cidade de Urubici, muito famosa por ter registrado as mais baixas temperaturas do Brasil. Urubici está em um vale cercado por montanhas à 915 metros do nível do mar e tem cerca de 10.500 habitantes. Uma cidade simples, com várias pousadinhas, alguns restaurantes e claro muito frio.

Nos hospedamos numa simpática pousadinha, a qual é a própria casa da dona, com um delicioso café da manhã ao lado de um antigo fogão à lenha. Após o almoço fomos em direção ao primeiro ponto que queríamos conhecer, a Serra do Corvo Branco, localizada à 30 km do centro da cidade seguindo sentido leste. Através de uma estradinha de pedra e muita poeira chega-se a um fenda cortada na rocha para a passagem da ligação do vale onde situa-se Urubici e a parte baixa da serra já em outro município, Grão-Pará. A estrada é a atração, pois as curvas são verdadeiros cotovelos e está encravada dentre as enormes rochas que formam paredões imensos, os maciços da Serra Geral. A estrada tem poucos metros de asfalto e na sua maioria é de pedras, buracos e poeira, muito estreita dá passagem à apenas um carro por vez. De um lado paredões e de outro um despenhadeiro, um lugar onde nos sentimos pequenos diante da grandeza da natureza.

Neste primeiro dia já gostamos muito do lugar, da cidade e das pessoas com quem conversamos, à noite fomos comer um pizza, na pizzaria haviam diversas fotos da região, fotos de várias nevascas, fortes geadas e pontos turísticos. A pizza estava muito boa, a temperatura ambiente era muito agradável, com as chamas da lareira no centro do salão e com o grande forno a lenha, sendo que a temperatura externa na faixa dos 2 graus. Já na pousada um bom banho quente e lençóis térmicos fizeram da noite uma bela noite de sono e de reposição de energias.

Acordamos com o termômetro marcando 0, sensação térmica provavelmente negativa, pois o ar era muito gelado. O café da manhã bem caseiro com excelente pães e doces e o bom papo do casal donos da pousada fez com que o ambiente ficasse aquecido.Nesta conversa descobrimos que o Morro da Igreja estava com acesso interditado pois a estrada havia desabado, também nos informaram que havia um acesso por trilha através das fazendas, mas que o caminho era ruim e não muito fácil de achar. Resolvemos buscar mais informações na Secretária Municipal de Turismo, fomos muito bem atendidos, o atendente nos apresentou diversas fotos e nos passou muitas informações, inclusive históricas e geográficas da região, impressionante o conhecimento e o excelente atendimento prestado.

Agora era só seguir as orientações e tentar localizar o início deste acesso restrito ao Morro da Igreja, seguimos por uma estradinha estreita com bastante barro até uma casa onde morava a D. Maria, foi ela que nos passou todas as dicas para a trilha. Lembrando que esse acesso só pode ser feito com um bom veículo 4x4, no nosso caso uma Land Rover Defender 110 nos daria com toda a certeza a segurança e a disposição para enfrentarmos os terrenos difíceis. Iniciamos a trilha, mas infelizmente pegamos uma virada errada, encontramos uma mulher e sua filha caminhando no meio de um pasto todo branco pela forte geada, e pedimos informação, ela nos orientou, aproveitamos demos uma carona, ela estava indo tirar leite das vacas naquela manhã fria do mês de julho. Já no caminho certo subimos a Serra dos Bitus, nome dado devido aos Bitus, um povo que mora em um vilarejo de cerca de 5 casas, onde vivem praticamente isoladas algumas famílias, as crianças com pele num tom de bronzeado e olhos azuis ficaram radiantes com nossa presença. Subimos, a subida nos dava um visual lindo naquela manhã ensolarada, onde o sol se erguia preguisoço e começava a derreter a densa geada nos campos da região. A subida era íngreme, escorregadia e nos levava à um caminho por dentro de fazendas, com algumas poças d’água ainda congeladas íamos cortando pastos, e capões com diversas araucárias centenárias, cachoeiras. Porteiras e mais porteiras, muitos cavalos, vacas e outros animais. Um pouco de lama, pedras pra dar um pouco mais de emoção ao caminho.

Saindo da trilha seguimos por asfalto, aliás com gelo no asfalto em pleno meio-dia, até o ponto turístico mais famoso da Serra Catarinense, o Morro da Igreja, onde localiza-se a base do Sindacta II, que faz o controle do trafego aéreo da região sul. Estávamos agora à mais de 1.800 metros do nível do mar, lá de cima a visão era magnífica, podíamos avistar muitos kms à distância pois o dia limpo nos dava essa oportunidade, lá de cima pode-se avistar outro ponto muito famoso, a Pedra Furada, pelo próprio nome não há muito o que descrever.

Voltamos para a cidade, mais cerca de 10 km de trilhas e pequenas estradas, cerca de 2 horas de deslocamento, o frio já começava a ficar intenso novamente, pois o ângulo do sol neste época do ano faz com que anoiteça muito cedo. Fizemos um breve lanche numa panificadora da cidade, matamos um tempinho, e fomos em busca de outros atrativos, pegamos a estrada, desta vez asfaltada e bem sinalizada, em direção à Cachoeira do Avencal, uma belíssima queda d’água localizada à 6 km do centro da cidade dentro de uma reserva particular. A cachoeira é linda, e o lugar muito bem cuidado, na volta paramos no mirante, onde podemos avistar a cidade inteira de Urubici, e paramos também nas inscrições rupestres, já com o sol bem baixo, a temperatura caia sensivelmente, os pés de maça ao lado da estrada davam um charme especial para a estrada.

Nossa segunda noite na cidade fomos a um restaurante muito charmoso no qual nos deliciamos com uma típica sopa de capeletti, repondo assim as energias para que no dia seguinte seguíssemos a viagem para outra cidade da Serra.

Acordamos cedo e novamente o termômetro marcava 0. Um belo café da manhã aquecidos pelo fogão à lenha fez a nossa despedida dos simpáticos e hospitaleiros donos da hospedaria. Seguimos pela tortuosa SC-430, até a fria cidade de São Joaquim, na qual conhecemos o centro e subimos até o morro das antenas para ver a cidade de cima. Resolvemos pegar a estrada novamente e desta vez a própria estrada era a atração, a SC-438, cortando a famosa Serra do Rio do Rastro. Uma breve parada no mirante, com uma visão imponente de boa parte do estado, pois o dia estava muito limpo, com o céu muito azul. Descendo a estrada, pode-se sentir o cheiro do mato, a cada curva o visual impressionava, muito bem sinalizada para evitar acidentes pois ao mesmo tempo que é bela é também muito perigosa pelas suas curvas acentuadas. Essa estrada nos levou à Lauro Muller, cidade simpática localizada na base da Serra Geral, seguimos por asfalto até Rio Fortuna passando por Braço do Norte. Pegamos então uma estrada de chão, com bastante poeira e paisagens rurais lindas e por aproximadamente 60 km pudemos observar e curtir, passamos por rios, bosques, curvas, serrinhas, subidas e descidas, horas com lama, horas com poeira, era em busca desta diversão é que estávamos. São Bonifácio era nosso destino, cidade da qual seguiríamos rumo à BR-282 cortando o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro por uma estrada de bom asfalto e de visuais muito bacanas.

Já na BR-282, uma parada breve para abastecer, a viagem estava próximo do final, paramos também em um Shopping em São José para fazer um lanche e se recuperar um pouco de tanta poeira, seguimos novamente para nossa base renovados pelo ar gelado da Serra Geral, com histórias para contar e com a certeza de que há muitos e muitos lugares especiais para visitar, nossa mini-expedição estava no fim, mas quando chegamos já estávamos programando a próxima.

sábado, 18 de dezembro de 2010






















Velejadores e Patrocinadores



O que dizer sobre os velejadores? Uma classe muito restrita de pessoas que acima de tudo escolheram este estilo de vida. Existe uma dedicação exclusiva à aventura, quase uma obsessão. Através de pequenos velejos e pequenos passeios, surge a paixão, o próximo passo é um bom curso de vela e a aquisição do próprio barco. Não interessa se o barco é grande, médio, pequeno, monocasco ou não, o que interessa é o grande prazer de deslizar sobre o mar, tendo como plano de fundo apenas os suaves ruídos do vento batendo na vela e da água sendo cortada pela proa do veleiro.

Alguns como o exímio aventureiro e velejador Amyr Klink, já passaram por essa fase de início e de descobertas, atualmente se dedica à grande expedições, sejam exploratórias, comerciais ou simplesmente pelo feito da navegação em si. Muitos populares podem entender o estilo de vida adotado pela maioria desses “lobos do mar” como de ociosidade ou de “vida boa”, confundem-se esses pela falta de informação e estudo, pois para preparar uma grande empreitada como essa, apenas para citar o exemplo, a Travessia entre o Continente Africano e a América do Sul em um pequeno barco movido à remo atravessando assim o imprevisível Oceano Atlântico, o velejador deve estudar muito sobre a metereologia, correntes marítimas, posições geográficas, oceanografia, dentre muitas outras ciências, deve trabalhar arduamente no projeto, para que tudo seja devidamente calculado e feito de forma precisa, para então, apresentar o projeto à um grande patrocinador e obter os meios financeiros para que possa dar frente à aventura.

Apenas as grandes empresas apóiam e patrocinam este tipo de atividade, e destas grandes, uma pequena parcela se interessa realmente em se envolver de tal forma à pagar custos do projeto e até mesmo o salário do velejador. Os esportes movidos à vento, em sua maioria, são esportes considerados caros e custosos, pois o valor do veleiro é alto, peças, manutenção, estaleiro, marinheiro. Quando um projeto é bem elaborado e dá um bom retorno de mídia para os patrocinadores, é um projeto de sucesso, como principal exemplo, temos a Família Schurmann, a qual se lançou ao mar com um projeto audacioso de completar uma volta ao mundo à bordo de um veleiro de porte médio tendo como tripulação uma professora, um economista e os filhos, 3 meninos, todos com menos de 14 anos.

A Família Schurmann, completou uma volta ao mundo, com previsão de duração de 2 anos, em 10 anos. Foram 10 anos de aprendizado no mar, fazendo deste estilo de vida um dos mais invejáveis por boa parte da população. Após um tempo em terra, mais precisamente em Santa Catarina, o casal volta ao mar acompanhado de um dos filhos para uma nova edição da expedição, uma nova volta ao mundo, desta vez com uma duração real de 2 anos. Durante à viagem, o casal adota uma menina. O Pai da menor, também um homem do mar, não tem condições de criá-la, pois trabalha em grandes embarcações e não tem tempo para se dedicar à criança. A pequena segue viagem com os novos pais.

Em uma simples análise: quanto custa tudo isso? Quem paga todas essas contas? Temos como resposta, grandes patrocinadores, investidores e os próprios velejadores que abrem mão de muitos bens, como carros, terrenos, apartamentos, para se lançarem ao mar e simplesmente viver, viver um estilo de vida único, com muita qualidade de vida, mas com um preço muito alto que é o risco eminente, a falta de verbas e os desconfortos causados por tempestades, calmarias, o pequeno espaço dentro do veleiro e até mesmo piratas. Um outro meio que mantém muitos velejadores solitários viajando pelo mundo são os conhecidos charter, ou seja, o aluguel do veleiro para um passeio pelos arredores de ilhas paradisíacas, com apenas o valor de um passeio, o velejador consegue se manter por aproximadamente um mês.

Deve ser citado também, como complemento, a família Grael, dos irmãos Torben e Lars. Torben Grael, teve como seu maior projeto a participação da Volvo Ocean Race, a maior e mais importante regata de volta ao mundo, utilizando veleiros de carbono com altíssimo desempenho e tecnologia. O custo do projeto foi de 80 milhões de dólares, parece muito? Isso foi metade do que as outras equipes gastaram. A participação da equipe brasileira liderado por Torben Grael foi um marco na história da vela nacional, foram quase 12 meses de regatas pelos mais diferentes oceanos do mundo, passando por diversos países tudo isso à bordo de um veleiro de 70 pés, fabricado no Brasil, o Brasil 1. Torben e Lars, além de medalhistas olímpicos e de participarem de diversas expedições pelos mares, mantém, juntamente com um patrocinador, um projeto social em Niterói, o qual ensina crianças carentes a arte da vela e o amor ao oceano.

Projetos, patrocinadores, velejadores, logísticas, mídia, todos caminham juntos, para que a população possa assistir, ler e sonhar com esse jeito especial de viver, que é viver no mar.

Maurício Bastos

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Expedição Iciguajur 2010




Já há algum tempo me surgiu à idéia de explorar um pedaço do litoral do sudeste. De todas as praias que já visitei, cada uma tem sua beleza e particularidade. A minha preferência, sempre foi por praias desertas e selvagens, e claro que tenham pelo menos alguma condição para a prática do surf.

Após algumas pesquisas e informações sobre esse local pouco falado e pouco explorado, fiz o convite à alguns poucos amigos para ver quais seriam os companheiros nesta expedição. A data foi marcada com bastante antecedência para que todos pudessem se programar com seu trabalho e família. Escolhemos o mês de maio por ter a certeza de não ser ainda tão frio, por ser um mês de característica seca tendo um baixo índice pluviométrico na região, por ser uma época de boas ondas e também para fugir do calor do alto verão, pois teríamos que acampar.

Carlos Lima e Wagner Meiga, estes foram os parceiros na empreitada. Eu atualmente morando em Mariscal-SC, Carlos morando em Matinhos-PR e Wagner entre Curitiba-PR e São Franscico do Sul-SC. Nossa saída foi de Curitiba por questões logísticas. A bordo de uma Land Rover Defender 110, com todos os equipamentos necessários, pegamos a estrada às 10 hs da manhã de uma sexta-feira, e seguimos por asfalto durante aproximadamente 3 horas rumo ao estado de São Paulo. Após aguardar a chegada da balsa fizemos a travessia para uma ilha, nesta ilha teríamos para percorrer 70 km de areia pela praia, surpresa, maré muito alta dificultando muito o deslocamento. Apesar de estar com um veículo preparado para estas ocasiões, resolvemos acampar em um local na própria ilha. Após uma trilha de areia fofa e algumas curvas pelo meio da restinga, achamos o local ideal, próximo a um rio, abrigado do vento por pequenas dunas e a alguns passos da praia.

Naquela tarde, as ondas não apresentavam boas condições, com a maré muito cheia e com um pouco de vento maral que atrapalhava a formação das ondas. Ficamos então montando nossa estrutura e nos divertindo com um cenário deslumbrante de fim de tarde em um local totalmente inóspito com acesso restrito à exploradores.

Depois de tudo montado e devidamente arrumado, tivemos um pôr do sol magnífico e para nossa surpresa um nascer de lua cheia impressionante, e o melhor de tudo, em um local deserto apenas com os amigos. Já na fogueira, fizemos nosso jantar e conversávamos sobre outras surf trips e locais irados que ainda temos que conhecer.

No sábado cedo, após assistir e fotografar o nascer do sol, fizemos um lanche e caímos na água, as ondas tinham 0,5 metro com boa formação, o mar estava muito liso, a maré estava bem seca, o que fez com que as ondas estivessem bem em pé e proporcionassem bons momentos para todos. A água tem a tonalidade marrom, o que no início dá um certo receio, ainda mais com uma grande quantidade de peixes pulando, mas logo depois já estávamos sorrindo e surfando bastante. Aproveitamos a manhã toda e logo iniciamos a desmontagem do acampamento, pois iríamos mais para o norte. Nos deslocamos pela areia da praia, curtindo o belo visual e curtimos a imensidão de areia e mar que víamos por kilómetros e kilómetros. Ajudamos um pequeno caminhão a desencalhar, pois a maré já estava subindo e fazia com que precisássemos andar pela areia mais fofa, demos carona a um senhor catador de conchas para artesanato, tivemos uma tarde muito prazerosa e divertida. Saindo daquele universo de areia, passamos por duas pequenas cidades e nos dirigimos à outra balsa, a qual nos levaria a uma reserva ecológica com mais uma praia deserta e também com mais ondas.

A balsa atravessa o escuro e poluído Rio Ribeira, alguns minutos e chegamos numa simpática vila, da qual já saímos em direção a nossa estrada de areia, ou seja, a própria praia.

O descolamento estava difícil e perigoso devido a maré muito alta, que em alguns pontos chegava a encostar na vegetação da restinga, mesmo assim, com a reduzida engatada, nos deslocamos por alguns kilómetros desviando da água salgada, dos bolsões de areia e dos inúmeros troncos de imensas árvores que vinham até a praia com a força das ressacas de semanas anteriores. Após uma rápida reunião de análise de riscos e das condições de surf, decidimos encontrar um local seguro para acampar por ali mesmo. Encontramos uma trilha estreita dentro da restinga e por ali passamos com nossa valente defender, após alguns arranhões na lataria, uns trechos de areia fofa e outros trechos um pouco mais fáceis, achamos um bom local, bem escondido, alto e seguro. Montamos tudo, coletamos lenha para a fogueira da noite e nos preparamos para uma noite relativamente fria e com um imenso luar novamente. Ao anoitecer, as cores do céu estavam de deixar qualquer ser humano deslumbrado com tamanha beleza e com a riqueza dos tons. Mas neste momento éramos devorados por nuvens de mosquitos incansáveis e resistentes a repelentes e a fumaça da fogueira, foi impressionante a quantidade e a fúria com que fomos atacados. Rapidamente comemos e entramos correndo na barraca, dormimos cedo, pois o dia seguinte certamente seria mais um dia especial, e foi.

Barraca molhada, teias de aranha brilhando no mato, devido a maresia e ao orvalho que foram muito fortes durante a noite, mais um amanhecer daqueles. Fomos checar as condições do mar, nos deparamos com ondas lindas, água verde escura, espuma branca, maré seca e o melhor mais de 20 kms de praia só para nós. Arrumamos tudo, desmontamos o acampamento e fomos até um costão de pedra para tomar nosso café da manhã. Foram quase 15 km de areia apreciando o nascer do sol, em alguns trechos a areia era fofa, dificilmente um carro 4x2 passaria por ali, essas são as vantagens de um autêntico 4x4, esses veículos nos levam a lugares fantásticos.

A formação das ondas e a qualidade do mar foram aumentando a cada momento, pois com a maré subindo as ondas ganhavam pressão. Não demorou muito até que caíssemos na água. Ondas cheias e longas, um playground. Diversão para todos em um domingo perfeito, de ondas boas, um lugar paradisíaco reservado só para quem busca a natureza na sua mais pura essência. Foi assim nossa manhã de domingo, nós os 3 amigos que andavam de carveboard pelas ruas asfaltadas de Curitiba agora estavam na mais bela natureza fazendo o que mais gostam.

Surfamos até cansar e decidimos começar o retorno, pois não podíamos pegar a maré muito cheia na nossa “estrada”. Conseguimos sair de lá com meia maré, rendendo bem nosso deslocamento off Road. Foi um deslocamento tranqüilo, divertido e de muito alto astral após vários momentos mágicos vividos intensamente. Pegamos a balsa novamente para entrar no “mundo real” e cerca de 300 kms de asfalto para enfim encerrar nosso final de semana. Chegando ao nosso ponto inicial de partida nos despedimos sabendo que bem em breve estaremos nos encontrando para mais uma inesquecível expedição pelo nosso belo Brasil.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Início do meu surf!


O mar sempre cria um certo fascino nas crianças, comigo não foi diferente. No início, sempre um pouco de medo, um tipo de receio e atração ao mesmo tempo. Quando a criança tem por volta dos 2 ou 3 anos, geralmente os pais levam apenas para se molhar e sentir o prazer de estar envolvido com o meio aquático. Com 4 ou 5 anos a vontade já faz com que a criança não queira sair da água na hora da família ir embora da praia. Quando acontece isso, pronto, a paixão pelo oceano se desenvolveu dentro daquele pequeno ser.

Comigo ocorreram essas fases também, como naturalmente ocorre com todos que estão envolvidos de alguma forma com o oceano. Isto não é uma regra, mas se encaixa em milhares de casos. Com um ano de idade meus pais estavam comprando uma casa em Guaratuba, litoral sul paranaense. E com essa idade comecei todo aquele processo de aproximação com o mar citado acima. Passada esse primeira fase, com aproximadamente 7 anos eu não agüentava mais ficar apenas brincando na areia, embora fosse uma atividade muito divertida, construir buracos profundos e pistas de moto-cross, então resolvi pedir de presente uma prancha de isopor para começar a me aventurar nas ondas.

O local dessas primeiras experiências foi na Praia do Morro do Cristo em Guaratuba-Pr, local esse freqüentado por diversas famílias tendo como características banco de areia reto com ondas fracas, sendo um ótimo lugar para banhistas. A primeira ondinha, foi um marco na minha vida, como era boa aquela sensação, eu não queria mais sair da água. As férias duravam aproximadamente uns 15 ou 20 dias por ano, bastante sol e calor, barriga assada devido ao contato da pele direto com o isopor.

No segundo verão de “surf” ganhei uma prancha um pouco maior, que às amarrei até uma cordinha de varal como se fosse um leash. Essa prancha era bem melhor, deslizava com mais velocidade, entrava melhor nas merrequinhas. Começaram os laços de amizade que o surf proporciona, já éramos um grupo que surfávamos todas as manhãs no mesmo local. Alguns dos “surfistas” da época, Pituxa, Tite, Juninho... e mais alguns que agora não lembro o nome, mas lembro muito bem dos sorrisos após mais uma ondinha até a areia. Diversão, sensação de liberdade, contato íntimo com o meio ambiente. E assim mais uma temporada de verão, o inverno parecia não passar ou passar muito devagar para que chagasse a época tão esperada para que pudesse novamente sentir aquela sensação agradável. E assim se passaram umas duas ou três temporadas de verão.

Em Curitiba, cidade natal infelizmente sem praia, eu tentava ter contato com a cultura surf, mesmo com aproximadamente uns 10 anos de idade, comprava umas revistas de surf, freqüentava uma loja da Hang Loose ( que eu achava um sonho), pedia dicas para um primo que já fazia algumas pequenas surf trips e no colégio já se formava também uma pequena tribo que admirava esportes ligados à natureza, como o surf, e o body board.

Passado o longo inverno, eu amarradão agora com uma prancha Morey Booguie da 775 estava mais fissurado para colocar na água aquela que seria minha companheira por 2 ou 3 verões. Ainda no Morro do Cristo com a mesma turma, entram alguns novos integrantes como o Léo e o Klévis. Todos uns pirralhos unidos apenas com um intuito: se divertir, e muito. 4, às vezes 5 horas seguidas na água. Não queria sair, sempre queira pegar mais uma onda quando meu pai fazia sinal da areia para irmos embora. A leitura agora é a revista da época especial para Bodyboarders, a Fluir Bodyboard. As roupas são 100% surfwear, maior estileira. Começo a entender um pouco mais sobre o esporte, sobre equipamentos e sobre as condições do mar. Não posso dizer que aprendi a surfar e saber sobre o surf sozinho, muitos amigos, através das experiências vividas, foram auxiliando na minha formação. Participaram desse processo, grandes amigos, os quais muitos deles tenho contato até o surf do dia de hoje, pois ainda pegamos ondas juntos como na infância. Alguns destes: Juninho, Tite, Klévis, Léo. Alguns outros grandes amigos também influenciaram, mas não na infância, tiveram influência mais tarde.

No final dos anos 80 não tínhamos as facilidades e tecnologias utilizadas e muito hoje pelos surfistas. Escola de surf, aqui no sul, ninguém sabia o que era. O acesso a equipamento era muito mais restrito, não tendo as grandes variedades e quantidade ofertada pelo mercado atualmente.

Com 13 anos convenci meu pai de me dar uma prancha de surf de fibra. Fui junto com ele na loja Grajagan no Omar Shoppinhg para escolher o modelo que melhor se adequasse para que agora começasse a surfar de verdade, em pé. A prancha escolhida fui uma triquilha, 6’1’’, New Advence, branca, com bastante borda, branca, semi-nova. Fiquei infinitamente feliz com o presente, não via a hora de estreá-la. Com essa prancha, não podia mais surfar no mesmo local, tendo em vista a quantidade de banhistas. Ainda mais aprendendo a ficar em pé, ia ser caldos e atropelamentos pra todo lado.

Enfim chega o verão, praia lotada, ondas pequenas e um sol escaldante. Junto com o Klévis e com o Tite, lá ia eu todos os dias caminhava com a prancha em baixo do braço do morro do cristo até a Praia Central. Uma caminhada de uns 15 minutos, perto. Na central a ondulação entra mais de frente, fazendo com que as ondas sejam mais forte e fechem mais rápido do que aquelas ondinhas que eu estava acostumado. Aos poucos eu ia me ajeitando, meus dois amigos também estavam na fase de aprendizado. Eu ainda tinha um pouco de medo de pegar um mar mais forte. Depois desse verão eu já estava acostumado a surfar na Central e já pensava em ir surfar na Praia Brava, tão falada pelos surfistas da época. Fim de verão tristeza no coração, minha família não costumava ir pra praia no inverno. Nesse ano que passou de tanto perturbar a vida do meu pai, consegui que ele me levasse alguns poucos finais de semana fora da temporada, era diversão garantida, eu não queria volta embora nunca.

Em meados de 92 , 93 eu já estava com mais prática e já ia desbravando as ondas da temida Praia Brava, mais especificamente no pico chamado Paraguaios. As ondas da central não me assustavam mais, e eu queria novas emoções. Foi nessas duas praias que aprendi e fui me aperfeiçoando no surf. O interessante é que mesmo sem falar com os amigos o ano todo, quando chegava o verão, sem combinar, todos apareciam com suas pranchinhas prontos para curtir aqueles momentos de surf e amizade. Dominávamos o crowd que começava a se formar nos Paraguaios, surf de manhã e de tarde todos os dias durante uns 40 dias no alto verão. Nesta mesma época comecei a praticar Mountain Bike também , o que me fez afastar um pouco da fissura do surf. Surfava apenas no verão, sem muito compromisso, os treinos e os interesses era pela bike, o mais novo brinquedo.

Mesmo pedalando bastante, a alma era surf. Queria uma prancha nova, maior, mais estável. Comprei uma Canfield 6’5”, bem mais radical do que primeira. Comprei em loja mesmo, o vendedor ajudou na hora da escolha da prancha ideal. Nessa compra eu já estava com 16 anos, queria começar a surfar no inverno também. Chega de só se divertir no verão, queria surf o ano todo, era uma das melhores coisas da vida, os amigos, o prazer do surf, a liberdade. Comecei a ir todos os finais de semana, de ônibus da linha Lapeana, eu e meu amigo Polaco. Slive O’neill, muito bem escolhido, prancha nova e um monte de viagens e desafios pela frente. Ir sozinho, só com o amigo, sem saber se ia ter onda ou não, comer miojo, caminhar mais de 20 min. até a praia, enfrentar o frio, tudo isso era o início da busca pela onda perfeita. Um surfista autêntico sempre quer mais.

Logo no primeiro inverno, queríamos sair de Guaratuba e começar a surfar em outras praias. Eu já havia surfado uma vez na Brava de Matinhos, mas ainda estava de Body Board. Meus amigos nunca haviam saído de Guará para surfar em outros mares. O primeiro desafio foi ir para Matinhos, depois para outras praias como Praia de Leste, Ipanema, todas no minúsculo litoral do Paraná. Com 17 anos conheci o brother Tiago, ele estava muito a fim de iniciar no surf, então ajudei ele escolher os equipamentos ideais. Começamos a nos jogar para outros picos, com mais qualidade de surf do que as merrecas paranaenses. Floripa foi a primeira grande “descoberta”, simplesmente show, água clara, altos visuais, sereias e boas ondas. Fantástico!!

Assim as viagens começaram a ficar cada vez mais freqüentes, o grupo de amigos maior, as experiências mais interessantes e o número de dias de surf/ano muito mais intenso, eu estava completamente contaminado pelo vírus positivo do surf. Cada viagem uma história, cada onda surfada mais sintonia com o oceano, cada novo amigo novas trocas de experiência. Nunca aprendi os ensinamentos do surf em uma escolinha, fui e sou um auto-didata que busca conhecimento nas mais diversas ondas do planeta. Viva e respire o surf!!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Expedição Iciguajur 2010


Em breve será postado o relato desta expedição!Por enquanto assista o filme e entre na vibe da trip!



segunda-feira, 3 de maio de 2010

Diversão



Inverno. Chuva e frio. Época de boas ondas. Final de semana chegando, combinamos a trip eu, Daniel, Robson, Renato, todos da Praia Secreta Expedições. Num último momento juntou-se a nós o Tiago, velho amigo de tantas trips e roubadas.

O destino era Guaratuba, apenas passar o sábado, pois o domingo tínhamos um trabalho. As previsões não eram muito animadoras, swell médio de sul com vento sul moderado. Mas todos muito fissurados e com muita fé para encontrar umas marolas.

Parati prata ( quase um 4x4) abarrotada de pranchas em cima, chuva a viagem inteira. Quanto mais chovia, mais aumentava a expectativa de todos. Na chegada em Coroados, decepção. Chuva, frio, vento sul forte, mar escuro e mexido, flat. Indo em direção à praia central, checamos outros picos pelo caminho, mas a condição era a mesma, pois a praia é aberta e não protege do vento.

Na praia central, as condições não eram muito diferentes, o vento soprava implacável encrespando as ondinhas com menos de 0,5 metro. O único empolgado era o Tiago, ele estava morando no interior de São Paulo e não via o mar já fazia algum tempo. O Renato, seguindo o Tiago, que nesse momento já trocava de roupa, também nos comunicou que iria dar a queda. Eu me encolhia um pouco com o frio úmido que fazia naquela manhã. O Daniel e o Robson nem cogitavam a idéia de cair naquele marzinho flat, gelado e mexido.

Num momento repentino, troco de roupa e decido não abandonar meus amigos atirados num momento difícil desses. Dei a queda, realmente as ondas estavam muito ruins, não tinha condições de surf decente. Só pelo fato de estar na água com os amigos, valeu cada segundo do frio e da chuva.

Eu, o Renato e o Tiago estávamos amarradões. Saímos da água muito feliz, trocamos de roupa com as extremidades arroxeadas...mas tudo bem!

Após um belo peixe na hora do almoço, decidimos retornar para Curitiba, pois realmente no período da tarde não haveria surf. Chegando em Curitiba, fomos jogar uma sinuca. Diversão garantida. Um sábado, onde a maioria das pessoas não sairia nem de casa, surfamos, rimos, vivemos!

sábado, 17 de abril de 2010

IIº Encontro Catarinense de Land Rover



Acontecerá nos dias 25 e 26 de setembro no município de Urubici na Serra Catarinense o IIº Encontro Catarinense de Land Rover.

O Encontro é uma iniciativa de proprietários e amantes da marca e tem como principal objetivo reunir e confraternizar com “landeiros” de todo o estado e também de outros locais do Brasil.

A programação visa à total integração dos participantes, contendo passeios pelas belas paisagens e pontos turísticos da região, refeições em restaurantes locais e também um jantar para que todos possam contar suas histórias e experiências com o lendário veículo 4x4. Será realizado um sorteio de equipamentos e outros brindes.

A participação é gratuita, porém, é necessário ser proprietário de um veículo Land Rover. Hospedagem, refeições e outros gastos ficam por conta do participante.

O evento conta com o patrocínio de www.africa4x4.com.br , www.armazen4x4.com.br e apoio www.solparagliders.com.br , www.residencialangelin.com.br , www.jorgealbertogomez.com.br .

Informações e inscrições podem ser feitas pelo e-mail: mauguara@hotmail.com ou pelo telefone 47 9606-4422.