sábado, 18 de dezembro de 2010






















Velejadores e Patrocinadores



O que dizer sobre os velejadores? Uma classe muito restrita de pessoas que acima de tudo escolheram este estilo de vida. Existe uma dedicação exclusiva à aventura, quase uma obsessão. Através de pequenos velejos e pequenos passeios, surge a paixão, o próximo passo é um bom curso de vela e a aquisição do próprio barco. Não interessa se o barco é grande, médio, pequeno, monocasco ou não, o que interessa é o grande prazer de deslizar sobre o mar, tendo como plano de fundo apenas os suaves ruídos do vento batendo na vela e da água sendo cortada pela proa do veleiro.

Alguns como o exímio aventureiro e velejador Amyr Klink, já passaram por essa fase de início e de descobertas, atualmente se dedica à grande expedições, sejam exploratórias, comerciais ou simplesmente pelo feito da navegação em si. Muitos populares podem entender o estilo de vida adotado pela maioria desses “lobos do mar” como de ociosidade ou de “vida boa”, confundem-se esses pela falta de informação e estudo, pois para preparar uma grande empreitada como essa, apenas para citar o exemplo, a Travessia entre o Continente Africano e a América do Sul em um pequeno barco movido à remo atravessando assim o imprevisível Oceano Atlântico, o velejador deve estudar muito sobre a metereologia, correntes marítimas, posições geográficas, oceanografia, dentre muitas outras ciências, deve trabalhar arduamente no projeto, para que tudo seja devidamente calculado e feito de forma precisa, para então, apresentar o projeto à um grande patrocinador e obter os meios financeiros para que possa dar frente à aventura.

Apenas as grandes empresas apóiam e patrocinam este tipo de atividade, e destas grandes, uma pequena parcela se interessa realmente em se envolver de tal forma à pagar custos do projeto e até mesmo o salário do velejador. Os esportes movidos à vento, em sua maioria, são esportes considerados caros e custosos, pois o valor do veleiro é alto, peças, manutenção, estaleiro, marinheiro. Quando um projeto é bem elaborado e dá um bom retorno de mídia para os patrocinadores, é um projeto de sucesso, como principal exemplo, temos a Família Schurmann, a qual se lançou ao mar com um projeto audacioso de completar uma volta ao mundo à bordo de um veleiro de porte médio tendo como tripulação uma professora, um economista e os filhos, 3 meninos, todos com menos de 14 anos.

A Família Schurmann, completou uma volta ao mundo, com previsão de duração de 2 anos, em 10 anos. Foram 10 anos de aprendizado no mar, fazendo deste estilo de vida um dos mais invejáveis por boa parte da população. Após um tempo em terra, mais precisamente em Santa Catarina, o casal volta ao mar acompanhado de um dos filhos para uma nova edição da expedição, uma nova volta ao mundo, desta vez com uma duração real de 2 anos. Durante à viagem, o casal adota uma menina. O Pai da menor, também um homem do mar, não tem condições de criá-la, pois trabalha em grandes embarcações e não tem tempo para se dedicar à criança. A pequena segue viagem com os novos pais.

Em uma simples análise: quanto custa tudo isso? Quem paga todas essas contas? Temos como resposta, grandes patrocinadores, investidores e os próprios velejadores que abrem mão de muitos bens, como carros, terrenos, apartamentos, para se lançarem ao mar e simplesmente viver, viver um estilo de vida único, com muita qualidade de vida, mas com um preço muito alto que é o risco eminente, a falta de verbas e os desconfortos causados por tempestades, calmarias, o pequeno espaço dentro do veleiro e até mesmo piratas. Um outro meio que mantém muitos velejadores solitários viajando pelo mundo são os conhecidos charter, ou seja, o aluguel do veleiro para um passeio pelos arredores de ilhas paradisíacas, com apenas o valor de um passeio, o velejador consegue se manter por aproximadamente um mês.

Deve ser citado também, como complemento, a família Grael, dos irmãos Torben e Lars. Torben Grael, teve como seu maior projeto a participação da Volvo Ocean Race, a maior e mais importante regata de volta ao mundo, utilizando veleiros de carbono com altíssimo desempenho e tecnologia. O custo do projeto foi de 80 milhões de dólares, parece muito? Isso foi metade do que as outras equipes gastaram. A participação da equipe brasileira liderado por Torben Grael foi um marco na história da vela nacional, foram quase 12 meses de regatas pelos mais diferentes oceanos do mundo, passando por diversos países tudo isso à bordo de um veleiro de 70 pés, fabricado no Brasil, o Brasil 1. Torben e Lars, além de medalhistas olímpicos e de participarem de diversas expedições pelos mares, mantém, juntamente com um patrocinador, um projeto social em Niterói, o qual ensina crianças carentes a arte da vela e o amor ao oceano.

Projetos, patrocinadores, velejadores, logísticas, mídia, todos caminham juntos, para que a população possa assistir, ler e sonhar com esse jeito especial de viver, que é viver no mar.

Maurício Bastos

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