



Já há algum tempo me surgiu à idéia de explorar um pedaço do litoral do sudeste. De todas as praias que já visitei, cada uma tem sua beleza e particularidade. A minha preferência, sempre foi por praias desertas e selvagens, e claro que tenham pelo menos alguma condição para a prática do surf.
Após algumas pesquisas e informações sobre esse local pouco falado e pouco explorado, fiz o convite à alguns poucos amigos para ver quais seriam os companheiros nesta expedição. A data foi marcada com bastante antecedência para que todos pudessem se programar com seu trabalho e família. Escolhemos o mês de maio por ter a certeza de não ser ainda tão frio, por ser um mês de característica seca tendo um baixo índice pluviométrico na região, por ser uma época de boas ondas e também para fugir do calor do alto verão, pois teríamos que acampar.
Carlos Lima e Wagner Meiga, estes foram os parceiros na empreitada. Eu atualmente morando em Mariscal-SC, Carlos morando em Matinhos-PR e Wagner entre Curitiba-PR e São Franscico do Sul-SC. Nossa saída foi de Curitiba por questões logísticas. A bordo de uma Land Rover Defender 110, com todos os equipamentos necessários, pegamos a estrada às 10 hs da manhã de uma sexta-feira, e seguimos por asfalto durante aproximadamente 3 horas rumo ao estado de São Paulo. Após aguardar a chegada da balsa fizemos a travessia para uma ilha, nesta ilha teríamos para percorrer
Naquela tarde, as ondas não apresentavam boas condições, com a maré muito cheia e com um pouco de vento maral que atrapalhava a formação das ondas. Ficamos então montando nossa estrutura e nos divertindo com um cenário deslumbrante de fim de tarde em um local totalmente inóspito com acesso restrito à exploradores.
Depois de tudo montado e devidamente arrumado, tivemos um pôr do sol magnífico e para nossa surpresa um nascer de lua cheia impressionante, e o melhor de tudo, em um local deserto apenas com os amigos. Já na fogueira, fizemos nosso jantar e conversávamos sobre outras surf trips e locais irados que ainda temos que conhecer.
No sábado cedo, após assistir e fotografar o nascer do sol, fizemos um lanche e caímos na água, as ondas tinham
A balsa atravessa o escuro e poluído Rio Ribeira, alguns minutos e chegamos numa simpática vila, da qual já saímos em direção a nossa estrada de areia, ou seja, a própria praia.
O descolamento estava difícil e perigoso devido a maré muito alta, que em alguns pontos chegava a encostar na vegetação da restinga, mesmo assim, com a reduzida engatada, nos deslocamos por alguns kilómetros desviando da água salgada, dos bolsões de areia e dos inúmeros troncos de imensas árvores que vinham até a praia com a força das ressacas de semanas anteriores. Após uma rápida reunião de análise de riscos e das condições de surf, decidimos encontrar um local seguro para acampar por ali mesmo. Encontramos uma trilha estreita dentro da restinga e por ali passamos com nossa valente defender, após alguns arranhões na lataria, uns trechos de areia fofa e outros trechos um pouco mais fáceis, achamos um bom local, bem escondido, alto e seguro. Montamos tudo, coletamos lenha para a fogueira da noite e nos preparamos para uma noite relativamente fria e com um imenso luar novamente. Ao anoitecer, as cores do céu estavam de deixar qualquer ser humano deslumbrado com tamanha beleza e com a riqueza dos tons. Mas neste momento éramos devorados por nuvens de mosquitos incansáveis e resistentes a repelentes e a fumaça da fogueira, foi impressionante a quantidade e a fúria com que fomos atacados. Rapidamente comemos e entramos correndo na barraca, dormimos cedo, pois o dia seguinte certamente seria mais um dia especial, e foi.
Barraca molhada, teias de aranha brilhando no mato, devido a maresia e ao orvalho que foram muito fortes durante a noite, mais um amanhecer daqueles. Fomos checar as condições do mar, nos deparamos com ondas lindas, água verde escura, espuma branca, maré seca e o melhor mais de 20 kms de praia só para nós. Arrumamos tudo, desmontamos o acampamento e fomos até um costão de pedra para tomar nosso café da manhã. Foram quase
A formação das ondas e a qualidade do mar foram aumentando a cada momento, pois com a maré subindo as ondas ganhavam pressão. Não demorou muito até que caíssemos na água. Ondas cheias e longas, um playground. Diversão para todos em um domingo perfeito, de ondas boas, um lugar paradisíaco reservado só para quem busca a natureza na sua mais pura essência. Foi assim nossa manhã de domingo, nós os 3 amigos que andavam de carveboard pelas ruas asfaltadas de Curitiba agora estavam na mais bela natureza fazendo o que mais gostam.
Surfamos até cansar e decidimos começar o retorno, pois não podíamos pegar a maré muito cheia na nossa “estrada”. Conseguimos sair de lá com meia maré, rendendo bem nosso deslocamento off Road. Foi um deslocamento tranqüilo, divertido e de muito alto astral após vários momentos mágicos vividos intensamente. Pegamos a balsa novamente para entrar no “mundo real” e cerca de 300 kms de asfalto para enfim encerrar nosso final de semana. Chegando ao nosso ponto inicial de partida nos despedimos sabendo que bem em breve estaremos nos encontrando para mais uma inesquecível expedição pelo nosso belo Brasil.

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