sexta-feira, 22 de julho de 2011

VISITA À SERRA CATARINENSE










A vontade de conhecer a famosa Serra Catarinense já vinha de tempos. Um lugar perto, famoso pela sua magnitude, cidades hospitaleiras e com muito frio. Em busca de tudo isso é que iríamos. Programamos a data conforme a previsão do tempo, para garantir que estaria o frio e que pudéssemos ver tudo branco, seja de neve ou de geada.

Saímos do litoral, mais precisamente da bela Praia de Mariscal no município de Bombinhas-SC, bem cedo, mesmo no litoral o ar estava gelado, o que nos deixava certos de que seriam dias clássicos na Serra. Saindo da península de Porto Belo, pegamos a BR-101 sentido sul, um pouco depois de passar pelo trânsito intenso da Grande Florianópolis, entramos na BR-282 sentido interior do estado. A BR-282, é bastante tortuosa e em vários trechos se apresenta com bastante trânsito, mas é nessa mesma estrada que começamos a visualizar a cadeia de montanhas da Serra Geral, o quanto mais nos afastávamos do litoral, ganhávamos altitude e conseqüentemente o frio aumentava.

Após rodarmos cerca de 130 km e passarmos por várias pequenas localidades, entramos à esquerda na estrada estadual, SC-430. Estrada estreita, sem acostamento, pouca sinalização, sem movimento e com lindo cenários. A estrada nos leva ao nosso destino que é a pequena cidade de Urubici, muito famosa por ter registrado as mais baixas temperaturas do Brasil. Urubici está em um vale cercado por montanhas à 915 metros do nível do mar e tem cerca de 10.500 habitantes. Uma cidade simples, com várias pousadinhas, alguns restaurantes e claro muito frio.

Nos hospedamos numa simpática pousadinha, a qual é a própria casa da dona, com um delicioso café da manhã ao lado de um antigo fogão à lenha. Após o almoço fomos em direção ao primeiro ponto que queríamos conhecer, a Serra do Corvo Branco, localizada à 30 km do centro da cidade seguindo sentido leste. Através de uma estradinha de pedra e muita poeira chega-se a um fenda cortada na rocha para a passagem da ligação do vale onde situa-se Urubici e a parte baixa da serra já em outro município, Grão-Pará. A estrada é a atração, pois as curvas são verdadeiros cotovelos e está encravada dentre as enormes rochas que formam paredões imensos, os maciços da Serra Geral. A estrada tem poucos metros de asfalto e na sua maioria é de pedras, buracos e poeira, muito estreita dá passagem à apenas um carro por vez. De um lado paredões e de outro um despenhadeiro, um lugar onde nos sentimos pequenos diante da grandeza da natureza.

Neste primeiro dia já gostamos muito do lugar, da cidade e das pessoas com quem conversamos, à noite fomos comer um pizza, na pizzaria haviam diversas fotos da região, fotos de várias nevascas, fortes geadas e pontos turísticos. A pizza estava muito boa, a temperatura ambiente era muito agradável, com as chamas da lareira no centro do salão e com o grande forno a lenha, sendo que a temperatura externa na faixa dos 2 graus. Já na pousada um bom banho quente e lençóis térmicos fizeram da noite uma bela noite de sono e de reposição de energias.

Acordamos com o termômetro marcando 0, sensação térmica provavelmente negativa, pois o ar era muito gelado. O café da manhã bem caseiro com excelente pães e doces e o bom papo do casal donos da pousada fez com que o ambiente ficasse aquecido.Nesta conversa descobrimos que o Morro da Igreja estava com acesso interditado pois a estrada havia desabado, também nos informaram que havia um acesso por trilha através das fazendas, mas que o caminho era ruim e não muito fácil de achar. Resolvemos buscar mais informações na Secretária Municipal de Turismo, fomos muito bem atendidos, o atendente nos apresentou diversas fotos e nos passou muitas informações, inclusive históricas e geográficas da região, impressionante o conhecimento e o excelente atendimento prestado.

Agora era só seguir as orientações e tentar localizar o início deste acesso restrito ao Morro da Igreja, seguimos por uma estradinha estreita com bastante barro até uma casa onde morava a D. Maria, foi ela que nos passou todas as dicas para a trilha. Lembrando que esse acesso só pode ser feito com um bom veículo 4x4, no nosso caso uma Land Rover Defender 110 nos daria com toda a certeza a segurança e a disposição para enfrentarmos os terrenos difíceis. Iniciamos a trilha, mas infelizmente pegamos uma virada errada, encontramos uma mulher e sua filha caminhando no meio de um pasto todo branco pela forte geada, e pedimos informação, ela nos orientou, aproveitamos demos uma carona, ela estava indo tirar leite das vacas naquela manhã fria do mês de julho. Já no caminho certo subimos a Serra dos Bitus, nome dado devido aos Bitus, um povo que mora em um vilarejo de cerca de 5 casas, onde vivem praticamente isoladas algumas famílias, as crianças com pele num tom de bronzeado e olhos azuis ficaram radiantes com nossa presença. Subimos, a subida nos dava um visual lindo naquela manhã ensolarada, onde o sol se erguia preguisoço e começava a derreter a densa geada nos campos da região. A subida era íngreme, escorregadia e nos levava à um caminho por dentro de fazendas, com algumas poças d’água ainda congeladas íamos cortando pastos, e capões com diversas araucárias centenárias, cachoeiras. Porteiras e mais porteiras, muitos cavalos, vacas e outros animais. Um pouco de lama, pedras pra dar um pouco mais de emoção ao caminho.

Saindo da trilha seguimos por asfalto, aliás com gelo no asfalto em pleno meio-dia, até o ponto turístico mais famoso da Serra Catarinense, o Morro da Igreja, onde localiza-se a base do Sindacta II, que faz o controle do trafego aéreo da região sul. Estávamos agora à mais de 1.800 metros do nível do mar, lá de cima a visão era magnífica, podíamos avistar muitos kms à distância pois o dia limpo nos dava essa oportunidade, lá de cima pode-se avistar outro ponto muito famoso, a Pedra Furada, pelo próprio nome não há muito o que descrever.

Voltamos para a cidade, mais cerca de 10 km de trilhas e pequenas estradas, cerca de 2 horas de deslocamento, o frio já começava a ficar intenso novamente, pois o ângulo do sol neste época do ano faz com que anoiteça muito cedo. Fizemos um breve lanche numa panificadora da cidade, matamos um tempinho, e fomos em busca de outros atrativos, pegamos a estrada, desta vez asfaltada e bem sinalizada, em direção à Cachoeira do Avencal, uma belíssima queda d’água localizada à 6 km do centro da cidade dentro de uma reserva particular. A cachoeira é linda, e o lugar muito bem cuidado, na volta paramos no mirante, onde podemos avistar a cidade inteira de Urubici, e paramos também nas inscrições rupestres, já com o sol bem baixo, a temperatura caia sensivelmente, os pés de maça ao lado da estrada davam um charme especial para a estrada.

Nossa segunda noite na cidade fomos a um restaurante muito charmoso no qual nos deliciamos com uma típica sopa de capeletti, repondo assim as energias para que no dia seguinte seguíssemos a viagem para outra cidade da Serra.

Acordamos cedo e novamente o termômetro marcava 0. Um belo café da manhã aquecidos pelo fogão à lenha fez a nossa despedida dos simpáticos e hospitaleiros donos da hospedaria. Seguimos pela tortuosa SC-430, até a fria cidade de São Joaquim, na qual conhecemos o centro e subimos até o morro das antenas para ver a cidade de cima. Resolvemos pegar a estrada novamente e desta vez a própria estrada era a atração, a SC-438, cortando a famosa Serra do Rio do Rastro. Uma breve parada no mirante, com uma visão imponente de boa parte do estado, pois o dia estava muito limpo, com o céu muito azul. Descendo a estrada, pode-se sentir o cheiro do mato, a cada curva o visual impressionava, muito bem sinalizada para evitar acidentes pois ao mesmo tempo que é bela é também muito perigosa pelas suas curvas acentuadas. Essa estrada nos levou à Lauro Muller, cidade simpática localizada na base da Serra Geral, seguimos por asfalto até Rio Fortuna passando por Braço do Norte. Pegamos então uma estrada de chão, com bastante poeira e paisagens rurais lindas e por aproximadamente 60 km pudemos observar e curtir, passamos por rios, bosques, curvas, serrinhas, subidas e descidas, horas com lama, horas com poeira, era em busca desta diversão é que estávamos. São Bonifácio era nosso destino, cidade da qual seguiríamos rumo à BR-282 cortando o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro por uma estrada de bom asfalto e de visuais muito bacanas.

Já na BR-282, uma parada breve para abastecer, a viagem estava próximo do final, paramos também em um Shopping em São José para fazer um lanche e se recuperar um pouco de tanta poeira, seguimos novamente para nossa base renovados pelo ar gelado da Serra Geral, com histórias para contar e com a certeza de que há muitos e muitos lugares especiais para visitar, nossa mini-expedição estava no fim, mas quando chegamos já estávamos programando a próxima.

Um comentário:

  1. Aí grande Maurício.....daqui há alguns dias....a pedalada será nervosa nessa região....prepare aí a magrela....Abraços

    ResponderExcluir